SILK ROAD TRIP #2, Cetinje to Duži, Montenegro

montenegro

 

06.06.2014

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

PORTUGUÊS: Primeira paragem do dia: o restaurante de Ivan (o “armário sorridente”), para encher a garrafa de água gratuitamente. Segunda paragem: o mesmo lugar de boleia onde não avançámos no dia anterior. E sim, o mesmo problema, boleiadores recolhidos aleatoriamente, e sempre mais e mais a chegar. Quando éramos já 9, um autocarro para Kotor passou e decidimos entrar. Não queríamos por nada perder mais um dia no mesmo lugar. Dentro do autocarro fomos encontrar um casal polaco-espanhol que nos reconheceu do vôo Bruxelas-Podgorica, com quem conversámos até ao fim do trajecto trocando informações sobre destinos e países a visitar. Ah, belas coincidências de viagem.

Slansko lake and Nikšić city in the horizon

A meio do caminho parámos na cidade turística de Budva e depois seguimos até Kotor ainda mais turística, uma cidade entalada entre um belíssimo conjunto de paredes-montanha negras, e um fjord-tropical, onde faz calor, a água é quente e límpida e abundam peixes. Lugar perfeito para tomar um banho 3 em 1: lavagem, tratamento aos músculos e ossos cansados e um momento de descontracção. De Kotor arranjámos boleia até Risan, e de Risan uma boleia de 2 bósnios, sem sabermos bem para onde. Pensávamos que nos levariam para a Bósnia, mas afinal iam para o norte de Montenegro. Passámos a menos de 10 km da fronteira bósnia mas não deixámos a boleia. Dada a grande simpatia dos dois homens e o facto de termos sido convidados para ficar em casa de amigos em Montenegro, esta boleia foi a força motriz para a primeira alteração do trajecto da viagem. Não vamos passar de leve a Croácia e a Bósnia, ficará para a próxima. Quanto à viagem…  que dizer das incríveis paisagens de montanhas, vales e lagos? Ah, só mesmo vendo as fotos poderão ter uma amostra do prazer que tivemos em fazer este imprevisto trajecto. Em Nikšić deparámos com um lago imenso com ilhas espalhadas no meio, O condutor, Ziad, atento à minha ânsia de fotografar o vale de Nikšić e o lago, parou o carro e convidou-me a sair para tirar umas fotos em condições. Fez o mesmo mais a frente, em Rudopolje para fotografar uma espécie de canyon e em Juta Greda para uma garganta profunda onde passa um pequeno rio! E que dizer destes dois homens, Ziad e Suad? Divertidos, atentos e com uma vontade imensa de partilhar a vida. Suad começou por brincar com a nacionalidade de Ziad, dizendo que aquele era árabe, um terrorista, mas não, claro que não, e mais tarde ficámos a saber que tinha estudado em Riade, na Arábia Saudita, daí a piada. Para compor o tema árabe até nos ofereceram os tâmaras vindas também da Arábia Saudita. Em Šavnik, já com muitas dezenas de quilómetros de viagem feitos, pararam num  bar e pagaram-nos uns cafés turcos e ovos cozidos. Numa absurda mistura de palavras de inglês, russo, lituano, alemão, sérvio (e por incrível que pareça até árabe) conseguimos explicar o nosso projecto de viagem que deixou-os num estado de choque entusiasmado.

O sol estava quase a por-se quando chegámos a Duži. Primeiro parámos numa mansão/palácio em construção com vista para uma das mais idílicas paisagens montanhosas possíveis de imaginar. Não fomos visitar os donos (que ainda não moram na casa), mas sim os colegas de trabalho (bósnios e montenegrinos) de Ziad e Suad que moram estes sim na mansão enquanto a constroem.  Fomos recebidos com muita sorrisos e boa disposição, curiosidade, cerveja, comida tradicional e até música ao vivo, pois um dos trabalhadores sabia tocar e bem um instrumento tradicional da região que parece um violino de 1 corda. Era já noite escura quando chegámos a casa do nosso primeiro hóspede, um velhinho muito culto e inteligente, que construiu sozinho a sua casa com um magnífico jardim no meio de montanhas lindas com vista para a Bósnia! Apesar da hora ainda fomos para a sala “conversar” os 5. Muito interessante o serão! O velhinho mostrou-nos as suas obras de arte, o seu livro de poesia, a árvore genealógica da sua família nos últimos 300 numa folha de papel gigante meticulosamente elaborada por ele… ah, e para provar os seus dotes em geografia portuguesa, proferiu de cor e por ordem norte-sul os nomes dos rios: Minho, Douro, Tejo e Guadiana! O quarto que nos ofereceu era grande, com 4 camas muito confortáveis, e a varanda dava para os picos montanhosos! Mas tivemos de compartilhar o quarto com os 2 bósnios, daí que, enquanto Ziad ajoelhado num tapete rezava  em direcção a Meca, eu escrevia estas linhas…

Luís Garcia

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