SILK ROAD TRIP #10 – Between Struga & Ohrid, Macedonia

montenegro

 

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

16.06.2014, 12th day of the trip


PORTUGUÊS
: Os mesmos cães que ontem tinham nos feito adiar o sono, esta manhã fizeram-nos acordar demasiado cedo. Tentámos em vão adormecer várias vezes, mas já não havia remédio. Saí da tenda e fiquei pasmado com a quantidade de pegadas de cães marcas em circulo na areia à volta da tenda! Enfim, antes isso do que ter de aturar turistas estrangeiros paranóicos olhando parados para a nossa tenda e resmungado qualquer coisa em alemão ou algo parecido. Ah, que raiva que me meteram! Para me vingar da afronta, fotografei-os descaradamente até que enfurecidos mas receosos, se puseram a andar dali para fora. Acabei por encontrá-los meia-hora depois quando voltava de fazer compras no centro de Struga, e aproveitei para mandar mais umas piadas em bom português. Ahhh, que cara de susto que tinham os 2! Para a próxima que não sejam brutos, e que deixem-se de arrogantes preconceitos!

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Depois do pequeno-almoço tomado na praia mesmo em frente, e com o sol a aquecer a pele, aproveitámos para mais uns bons banhos antes de nos pormos à estrada. Era manhã ainda ncontrávamo-nos a cerca de 15 km do próximo destino, a cidade de Ohrid. Tínhamos portanto uma boa margem de tempo para lá chegar, de forma que decidimos fazer os primeiros quilómetros a pé, pouco a pouco, pela costa do lago, com paragens para comer e tirar fotografias. Infelizmente as condições meteorológicas pioraram em  muito pouco tempo e vimo-nos obrigados a apressar o passo para procurar abrigo. Não chegou a ser preciso, quando nos preparávamos para atravessar uma estrada em direcção a uma estação de combustível para fugir à chuva que começava a cair, um Mercedes luxuoso (mais um!) parou ao nosso lado! Dentro do bólide iam 2 senhores na casa dos 60. O condutor, Ibrahim, um carismático businessman macedónio de etnia turca que tornou-se milionário após décadas a trabalhar na restauração em Dallas, no estado norte-americano do Texas. Minutos depois chegámos a Ohrid. Ibrahim estacionou o carro em frente à sua e saiu com o seu amigo, deixando-nos os 2 dentro com a chave e o motor a trabalhar. O seu amigo ia para casa, e Ibrahim foi tirar da rua os tapetes que tinha deixado ao sol. De volta ao carro, convidou-nos para almoçar com ele. Aceitámos, pois claro, e ainda bem, fomos nos banquetear num luxuoso restaurante na praça central, ao som da sua caricatural pronúncia texana e da infinita lista de coisas caríssimas e enormes que tem, construiu, ganhou, vendeu ou comprou! Dólares só contava aos milhões, casas às centenas de metros quadrados! Ah, que loucura, que choque! Ibrahim, com muito orgulho, contou-nos como se desenrasca a comprar a complacência e mesmo a cumplicidade das autoridades locais pagando almoçaradas à polícia e bombeiros, e oferecendo comida a centenas de pobres da cidade no dia de Acção de Graças. Também se divertiu a contar a conversa que um dia teve com um norte-americano desagradado com o facto de ser pobre e de se deparar com tantos estrangeiros ricos ou milionários na sua própria terra. Ibrahim, com toda a sinceridade disse-lhe que a culpa era desses mesmo pobres norte-americanos, pois quando chegara aos EUA era um miúdo de 13 anos que tinha sobrevivido até então pastando animais na sua pobríssima terra natal. E mais, se estrangeiros se tornaram e tornam ricos nos EUA é por culpa da imbecilidade e estupidez dos norte-americanos, pois se fossem inteligentes, pastores de ovelhas como ele, adolescentes, incapazes de compor uma frase em inglês à chegada aos EUA, poderiam se ter facilmente transformado em escravos dos norte-americanos. Mas não, como os norte-americanos não têm inteligência nem perspicácia, não só não escravizaram os estrangeiros como ainda por cima lhes deixaram o caminho livre para enriquecer com as inúmeras oportunidades que os EUA proporcionam. O norte-americano, sem palavras, não teve outra solução senão a de dar-lhe razão… Entre inúmeras estórias do género, fomos nos enchendo até mais não, e chegou a um ponto que era impossível comer mais. Pedimos ao garçon para nos embalar o que sobrava e guardámos para o dia seguinte.

Depois de jantar Ibrahim levou-nos de volta até junto da sua casa, ao lado do lago Ohrid. Garantiu-nos que podíamos montar a tenda no parque ao lado do bar do seu amigo Agim, macedónio-albanês (também emigrante nos EUA, que enriqueceu e perdeu tudo no jogo). Ainda estivemos para montar a tenda, mas apareceu a filha desse seu amigo que nos convidou a entrar no bar.  Esperámos por Agim para pedir para emprestar a chave do bar e guardar as malas ali mas, quando Agim chegou, os planos mudaram radicalmente. Agim convidou-nos a pernoitar num dos seus “quatro restaurantes”. Aceitámos e fomos lá por as malas, ficando livres para passear o resto da noite sem peso às costas. às 10 da noite, como combinado, voltámos ao bar para ir dormir mas afinal Agim que era o suposto dono do restaurante disse-nos que o dono não permitia que lá ficássemos! Enfim, estórias mal contadas. Pegámos as malas e regressámos a zona do bar junto ao lago. Connosco o empregado do bar, deficiente mental (sim, literalmente) que até meio do caminho andou calado, e que partir daí começou a falar sem parar em macedónio, falando mal dos ortodoxos e bem dos muçulmanos, e que nos dava casa (ou não) e não sei que mais! Ah, que confusão. Nós estávamos exaustos e tínhamos pressa de chegar para largar as malas, mas o raio do homem deu voltas e mais voltas, com cruzamentos e caminhos ilógicos que pareciam não ter fim. Porquê? Não sei, é louco claro, pois se tivesse ido sozinho, sabia como ir em linha recta usando apenas uma rua que liga o centro ao parque, e só lá estava há poucas horas, enquanto o raio do homem nasceu e cresceu em Ohrid! Ah, que paciência!  E não é tudo, quando finalmente chegámos ao parque havia uns gorilas de aspecto muito manhoso, com música de merda aos berros saindo pelas janelas de carros poderosos. O raio do homem foi todo contente contar àquela gente manhosa que eu e a Claire íamos dormir ali com tenda! Íamos, pois, mas tivemos de mudar de planos. Aproveitando a escuridão absoluta, escapámo-nos em silêncio e fomos monta a tenda discretamente sobre um campo de erva macia em frente à casa de Ibrahim, camuflado por um monte de terra repleto de erva alta! E assim acabou o dia….! :p

Luís Garcia

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