SILK ROAD TRIP #22 – Living in Doğubeyazıt (IV)

turkey

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

PORTUGUÊS:

Vivendo em Doğubeyazıt – Parte 4

29.06.2014 – 25º dia de viagem

A manhã começou como uma divertida conversa (para mim) com o tal turco que tem medo dos curdos e que no entanto vem passear de bicicleta para aqui, onde foi hospedado à grande por curdos vítimas do terrorismo de estado turco. Bom moço, sem dúvida, mas vítima da enorme lavagem cerebral nacionalista. Perante todo o que lhe disse, mais ou menos ou que escrevi no artigo anterior, só me sabe responder incoerentemente que se posiciona politicamente contra os curdos pois estes chegaram as estas terras à força, trazendo violência e terror. Que piada. Respondi-lhe perguntando que país, que povo, que nação não fez o mesmo? Como foi criado o Brasil pelos portugueses senão pela escravização, tortura e morte? E os EUA? E todos os outros países? Ahhh, e a Turquia? Se os curdos chegaram a estas terras com violência, terá sido há milhares de anos. Os turcos apenas à 500 anos com igual terror e violência! Brincamos? Coitado, fez-me pena ver esta muito boa pessoa sem resposta, clara vítima de ridículos clichés anti-curdo repetidos sem cessar aos seus ouvidos.

Claire e eu decidimos ir passear de novo até ao Palácio de Ishak Paça, não sem antes ir devolver a chave de fendas emprestada. A ideia era ir a pé, mas as boleias aparecem do nada, mesmo sem que as procuremos, de modos que a maior parte do percurso fizemos num autocarro que nos levou ao cimo do monte de graça. Para baixo igual, um carro de 2 técnicos da rádio e televisão turca que vinham de reparar a antena de retransmissão por detrás de Ishak Paça levaram-nos para baixo. Não fomos até à cidade. Pedimos para nos deixarem 2 km antes junto a Yunus, a nossa amiga que andava pastar as suas ovelhas. Coversámos um pouco e aceitámos o convite para jantar em sua casa à noite. Dali fomos até ao Restaurante Lalezar, uns metros mais abaixo, para visitar o dono do grandioso estabelecimento, um nosso conhecido e amigo de Mehmet, que nos ofereceu chás e cafés, e que nos fez saber que era familiar da pastora Yunus!

De volta a casa, mais viajantes! Uma alemã muito simpática e poliglota, que ficou na nossa companhia uma noite, e uma iraniano treslocada que desapareceu meia hora depois de termos chegado!

Tal como combinado, por volta das 20h30 saímos de casa para ir ao encontro de Yunus e da sua família. Numa cidade praticamente sem iluminação nocturna e com os subúrbios 100% *as escuras, foi um grande filme encontrar a casa. Avançámos à boleia até junto ao bairro que Yunus nos falara, mas uma vez chegados, não sabíamos como dar com a casa. Andámos às voltas, fomos perguntando pela Yunus a quem passava na rua (pelos vistos existem dezenas de Yunuses na zona) e, pouco a pouco, fomos ter à casa, sem ter a certeza de estármos no sítio certo. Falta bater à porta ou chamar pela pastora, no entanto dois cães enormes e soltos ladrando para nós na escuridão fizeram-nos hesitar. Tão perto e tão longe, acabámos por caminhar passo a passo até à entrada e batemos à porta. Nada. Gritámos pelo nome Yunus. Também nada. Vimo-nos obrigados a espreitar e bater nas janelas com luz! Aleluia, a insistência deu os seus frutos e da casa saiu uma Yunus muito assustada com uma laterna na mão. Em poucos minutos montou-se uma sala de jantar no jardim, com a ajuda dos 2 irmãos de 11 e 12 anos, enquanto a mãe aqueceu e preparou comida enquanto o diabo esfregou um olho! A comida era maravilhosa, mas ainda mais foi aa alegria com que a sua mãe nos acolheu em sua casa. Ao invés de Yunus e os 2 irmãos, a sua mãe é uma fala-barato, eufórica pelo enorme prazer de ter estrangeiros a jantar em sua casa. Contou-nos que desde há 17 anos recebe pelo menos uma visita por ano des estrangeiros viajantes como nós! Confessa que adora estes encontros fortuitos e afirma se encontrarem por entre os mais belos momentos da sua vida. Não admira, a querida senhora não para de falar um segundo e em quase tem 3 filhos que mais parecem surdos-mudos! Ahah! Era já muito tarde quando fomos embora, para desconsolo da mãe de Yunus que nos abraçou e beijou com ternura, repetindo eufórica uma miríade de diferente formas de despedida em turco e curdo, implorando pelo meio para que voltássemos a visitá-la um dia! Que experiência intensa, dificilmente olvidável…🙂

Luís Garcia

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