SILK ROAD TRIP #26 – Going to Tbilisi to meet Diogo Saraiva, Georgia, 2014

georgia

(click the photo to watch the full album)

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

PORTUGUÊS:

Ao encontro de Diogo Saraiva em Tbilisi

08/09.07.2014 – 34º e 35º dias de viagem

Álbum de Batumi

Dia 8 de Julho: Começámos o dia com maldição vinda dos céus: após horas a chover durante a madrugada, saímos da tenda de manhã para descobri-la no meio de um rio de lama que escorria dos montes de terra à nossa volta, no estaleiro de uma estrada em construção. É no que dá por-se a montar a tenda em sítios que não lembram a ninguém.
Para compensar fazia sol e estávamos a apenas 20 metros do Mar Negro! Ainda estou para perceber por que razão todos os turcos que encontrámos nesta zona norte da Turquia nos falam maravilhas (mentira, antes hiper-capitalismo de dar vómitos) da cidade balnear de Batumi na Geórgia, quando tem milhares de quilómetros do MESMO Mar Negro em frente de casa. Bastaria fazer como os geórgios: trazer camiões carregados de seixos até à costa e criar praias no norte da Turquia. Ou melhor, fazer como os portugueses e trazer camiões de areia! Mas não, desde Trabzon até esta vila de Arhavi o melhor que vimos foram (em Arhavi) uns blocos de pedras espalhados na costa. Melhor que nada, metemos a tenda a secar sobre as pedras e fomos tomar banho no Mar Negro. Aliás, primeiro construi uma mini-piscina em pedra, só depois pegámos em sabão para desencascar os corpos colados de suor e cobertos por camadas de poluição urbana!
Depois do banho tomada e com a tenda limpa, refizemos as malas e começámos a boleia na estrada por detrás de nós, mesmo em frente a um túnel. Sim, sem dúvida que não é o melhor sítio para fazer boleia, sem espaço nenhum para parar um carro, mas tudo bem, minutos depois apanhámos boleia para a fronteira turco-geórgia.
A fronteira foi atravessada a pé, nas calmas. Antes do controlo de passaportes aproveitámos para gastar as últimas liras turcas e aprender as primeiras palavras em geórgio numa loja de um muito amável casal de geórgios.
Do outro lado da fronteira fomos dar com o esperado choque cultural: a poucos metros da fronteira, do lado turco, uma mesquita e rochas na costa; do lado geórgio, uma igreja e uma praia de seixos com mulheres de biquini a curtir a vida… tão simples! Estivemos quase para fazer uma paragem para banhos ali ao lado da fronteira, em Sarpi, ainda mais com praia a sério, mas não, tínhamos de avançar pois faltavam ainda centenas de quilómetros para chegar a Tbilisi onde iríamos encontrar Diogo (um amigo que se junta à viagem “Rota da Seda” durante 20 dias). Decidimos portanto recomeçar a boleia, e fizemos bem, minutos depois um casal de geórgios alucinados deu-nos boleia. O lado bom da boleia foi podermos comversar dado que os 2 falavam turco, o lado mal foi quase morrer de ataque cardíaco com a velocidade e condução arriscada do condutor. Em tom de brincadeira disse-nos que era o Shumacher da Geórgia, “não tenham medo, está tudo controlado” repetia ele! Sim, até ao momento em que um Fórmula 1 avaria e lado dentro morre um Ayrton Senna… enfim…
O casal geórgio levou-nos até ao centro de Batumi, ou pelos menos assim disseram. E também disseram que estávamos ao lado da praia, ahh, a famosa praia! Crentes pusémo-nos a caminhar em direcção ao mar, numa caminhada infernal que nunca mais acabava. Pior, quando lá chegámos, percebemos que também não estávamos na zona central, faltavam ainda quilómetros para lá chegar. Uma vez mais, cansados, com fome e sob um sol tórrido andámos de malas às costas até por fim encontrar cafés e lojas! Ah, que alívio!
Não tivemos nem quisémos ter muito tempo para analisar Batumi, mas de qualquer modo não nos restam dúvidas que Batumi é um lugar horrível, artificial, feito para os novos-ricos milionários conspurcados, tão comuns na Europa de Leste e Caúcaso. Por todo o lado encontrámos hotéis, restaurantes e bares hiper caros e hiper chiques praticando preços impossíveis para a classe média europeia (muito menos a geórgia), cheios de gente bem vestida de nariz para o ar, carros topo de gama, por aí fora. Quanto a bares normais, com condições standard e preços correspondentes, não nada! Uma cidade tão grande, com tanta gente, e não há lugar com preços acessíveis junto à costa. Até na minha vila de Ribamar se encontram mais! Ainda assim, fugimos um pouco do orçamento e comprámos uma cerveja fresca e um néctar de pêssego no bar menos chique que podemos encontrar.
Do centro caminhámos ainda mais 2 quilómetros até à estação de comboio, para uma vez lá chegados descobrir que estava fechada. Pelo caminho passámos pelo porto de Batumi onde estava ancorado um enorme navio de guerra da Marinha Terrorista Francesa! No nosso russo rudimentar conseguimos conversar com um senhor que se ofereceu para nos ajudar, junto à estação abandonada, que nos explicou como chegar de mini-bus à estação de comboios nova que fica a 5 km da cidade (em Makhinjauri). Não haja dúvidas, não se pode fazer caso das informações do googlemaps, senão acabasse por ir parar a estações erradas que já nem sequer existem!

Para nosso desgosto o próximo comboio para Kutaisi só partiria na manhã seguinte. Kutaisi é uma das cidades mais interessantes de visitar na Geórgia e nós tínhamos planeado visitá-la no dia 9, partindo ao fim da tarde desse dia rumo a Tbilisi. Se apanhássemos o comboio para Kutaisi no dia seguinte seria muito difícil combinar as longas horas de comboio nos trajectos Batumi-Kutaisi e Kutaisi-Tbilisi com uma visita a Kutaisi pelo meio. Desistimos do plano e pedimos um bilhete nocturno para Tbilisi, de 8 para 9. Assim poderíamos visitar um pouco mais de Batumi antes de partir directo à capital, aproveitando para dormir a primeira noite da viagem a bordo de um comboio. Também não, os bilhetes estavam todos esgotados. Tivemos de aceitar a única opção possível, um comboio para Tbilisi uma hora mais tarde.

Do mal o menos, aproveitei a viagem de comboio para escrever no conforto dos sofás e mesas disponíveis. Mau mesmo foi chegar tão tarde a uma metrópole, às 23h30. Quando chegámos tentámos implementar o único plano de emergência de que dispúnhamos: montar a tenda num parque que sabíamos (de acordo com o googlemaps) encontrar-se um pouco a norte da estação de comboio. Como podem imaginar, no caos urbano quase não iluminado de um país desconhecido à meia-noite, não é muito fácil encontrar parques! E pois claro, não encontrámos, mas demos com um outro bem mais pequeno que teve de servir. À meia-noite e meia da noite montámos a tenda por detrás de uns escorregas para crianças, silenciosamente, de forma a não despertar a atenção dos jovens que despejavam garrafões de cerveja ali mesmo ao lado…

Álbum de Tbilisi

Dia 9 de Julho: Apesar do barulho dos carros rodando em alta velocidade na estrada ao lado do parque, a noite até foi bem passada, dormimos bem com ajuda de papel nos ouvidos e acordámos bem-dispostos. Sim, bem dispostos apesar das marotas das crianças que vieram espreitar por debaixo da cobertura da tenda e chamar por nós. Para nosso descanso havia avós e pais tomando conta delas que não as deixaram nos importunar muito. Com toda a calma sentámo-nos num banco junto à tenda e comemos uma sopa preparada no nosso mini-fogão, sob os olhares atónitos (ainda que simpáticos) das gentes da cidade.

Depois de tudo arrumado voltámos à estação de comboios onde fomos com muita dificuldade apanhar um autocarro para o centro de Tbilisi. Ninguém nos entendia e nós não tínhamos a mínima ideia se estávamos no autocarro certo nem em que estação sair. Tudo bem, saímos bem perto da cidade velha, para nossa alegria, e começámos de imediato à conversa com um muito velho velhinho que vendia livros mas antigos que ele e que falava um francês perfeito pese embora apenas tenha aprendido esse idioma na escola (soviética) há muitas dezenas de anos atrás! Espantoso só para quem desconhece as virtudes do sistema de ensino da antiga URSS. Além da interessante conversa, explicou-nos ainda o caminho para o centro do centro!

Como tínhamos malas (pesadas), voltámos à táctica de ficar um num café a tomar conta delas enquanto o outro passeava no centro histórico, trocando de papéis ao fim de um tempo. À primeira impressão Tiblisi, na sua caótica mistura de muito antigo e ultra-moderno é muito interessante. Vale a pena por cá passar! Nós ainda cá voltaremos daqui a uns dias…

A meio da tarde fomos para o aeroporto esperar por Diogo que chegaria à noite. Como tempo era coisa que não faltava, Claire voltou a apanhar um autocarro até uma zona urbana onde foi comprar comida para o resto do dia. Eu fiquei no aeroporto com as malas. Horas depois chegou finalmente Diogo para se juntar durante 20 dias à viagem Rota da Seda!

Luís Garcia

 

Carnet de voyage de Claire #35

9 Juillet 2014

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