SILK ROAD TRIP #27 – From Mtskheta to Ananuri, 2014

georgia

(click the photo to watch the full album)

 

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

PORTUGUÊS:

De Metskheta a Ananuri

10/11.07.2014 – 36º e 37º dias de viagem

Diogo chegou às 4h30 da manhã ao aeroporto internacional de Tiblisi. Eu e Claire estávamos a dormir no chão com os saco-camas, esperando por ele. Às 4h20 fui esperar Diogo nas chegadas; foi um dos últimos a sair, muito tranquilo. Como ainda era cedo, abriu o seu saco-cama e tentou também dormir no chão do aeroporto. Não durou muito, pouco depois começou a ficar dia e cada vez havia mais gente e mais barulho. Às 6 da manhã desistimos da dormida impossível e pegámos um autocarro de 20 cêntimos para a estação central de comboios de Tbilisi, perto do centro da cidade e a 15 km de distância do aeroporto.

Estávamos os 3 muito cansados, sem energia, de modos que fizemos tudo em “câmara lenta”: comprar uns cafés e algo para comer, procurar o autocarro urbano com o qual ir até à estação da qual partem os mini-autocarros para Metskheta, fazer compras para o dia.
Em Metskheta, um vila protegida pela Unesco e antiga capital da Geórgia, assim que saímos do mini-autocarro (era já hora de almoço), pusémo-nos a caminhar em direcção ao grande sonho do dia: o rio, onde queríamos lavar-nos bem e refrescar-nos o mais possível. Pelo caminho, para nosso espanto, adoptámos um cão, ou melhor, ele adoptou-nos a nós, seguindo-nos o resto do dia, descansado onde descansámos, mostrando-nos por vezes o caminho certo por entre a floresta que levámos uma hora a atravessar. Perto do rio fizemos o nosso “acampamento” e saltámos para dentro de água com sabão e champô nas mãos.

Álbum de Mtskheta

Já a cheirar a lavado e descontraídos, eu e Diogo fomos visitar o castelo e umas “ruínas soviéticas” muito interessantes. O cão, claro, veio connosco. Ah, que bela vista panorâmica de Metskheta se obtém do topo do castelo!

Quando saímos do castelo, mais pela brincadeira que pela necessidade, esticámos os braços a pedir boleia. Poucos segundos depois o segundo carro a passar parou-nos e avançou-nos 1 km até à igreja que queríamos visitar. O cão, coitado ficou para trás, sozinho, mas não por muito tempo. Quando saímos da dita igreja lá estava ele de novo pacientemente esperando por nós e saltando de alegria por nos reencontrar. E Assim fomos os 3 todos contentes descendo a rua principal da cidade até ao complexo património da Unesco onde se encontra uma das mais antigas igrejas do país. O cão não entrou, corrido a pontapé por um estúpido deficiente que espancou o pobre animal de tal forma que este fugiu a correr e nunca mais o vimos! Que nojo de gente!

À porta mais gente pouco aconselhável: um grupo de beatas vestidas de negro a falar pelos cotovelos e rindo, parando só para chatear os visitantes com os seus braços esticados e falsas lamentações nada convincentes. E mais, vendo o ar de desprezo dos visitantes, apontavam para um pobre paralítico mantido vergonhosamente ali em cativeiro ao calor por estas bruxas que em vez de tomar conta dele em casa o trazem para uma macabra exibição com fins lucrativos. Nojenta beatice!

Para compensar encontrámos uma simpática senhora, guia profissional em língua inglesa. Fui muito honesto com ela e expliquei-lhe que o preço do seu interessante serviço era completamente imcompatível com o nosso orçamento de viagem. Tudo bem, não nos fez uma visita guiada gratuíta mas ainda assim fez o favor de nos explicar um pouco da história do lugar e o significado dos símbolos pagãos tão abundantes dentro e fora da igreja central. Ah, e finalmente fiquei a perceber por chamamos Geórgia à Geórgia (é que em geórgio o nome é Sakartvelo, nada a ver): no tempo da Grécia Antiga esta região era famosa no mundo helénico pela fertilidade do solo e bom clima que combinados resultavam numa abundante produção de bem agrícolas. Ora “geo” em grego significa terra (Geologia: estudo da terra), e Geórgia o local com terra (boa para cultivo).

Graças às explicações da guia pudémos apreciar melhor os segredos contidos neste belo lugar, pelo menos do lado de fora da igreja e no jardim, porque dentro da igreja mal tivemos tempo para entrar. Uma vez mais a razão é gente estúpida. Um gajo paranóico, um dos “padres de serviço” veio embirrar comigo por ter um lenço árabe na cabeça e correu da igreja para fora. Que estupidez, as mulheres são obrigadas a por lenço na cabeça se querem entrar nas igrejas geórgias, eu não posso entrar COM um lenço porque este tem um padrão de losangos pretos e brancos! Ah, que doença o fanatismo religioso!

Contentes pelo grande e interessante passeio, voltámos à beira-rio. Claire foi dar o seu passeio por Metskheta e nós fomos a banhos uma vez mais. Ao fim da tarde voltámos ao centro vagarosamente e entrámos num café. Para nossa alegria o filho da dona do café-hostel foi buscar uma garrafa de vinho caseiro e convidou-no a beber com ele. E mais, em inglês ajudou-nos imenso com dicas sobre como viajar na Geórgia! Nós que comprámos a bebida mais barata que havia só para poder permanecer ali esperando por Claire usando internet e acabámos por ser tratados com tão grande hospitalidade! Ah, que gente boa.

O filme do dia aconteceu quando eu e o Diogo fomos para o relvado do campo de futebol local montar a tenda. Claire ficou para trás, no bar, usando internet. Quando tentou juntar-se a nós era já noite e perdeu-se. Ah, que filme, andámos os 3 a gritar e a usar laternas pela cidade fora… Que barracada, nós que queríamos passar despercebidos com a tenda montada no campo de futebol e acabámos por chamar a atenção de toda a vizinhança. Bom, até foi divertido (talvez menos para Claire que apanhou um “susto do carago”! Eheh)

Álbum de Uplistsikhe

Na manhã seguinte, como de costume fizemos um cafezinho para os 3 com o nosso mini-fogão, desmontámos a tenda e voltámos à estrada, rumo às famosas grutas de Uplistsikhe, um dos primeiros centros urbanos do antigo Reino de Kartli (Geórgia clássica). Num ritmo alucinante apanhámos 3 boleias, pelas quais esperámos 2 minutos cada, e que nos avançaram alguns quilómetros. Só à 4ª boleia começámos por fim a aproximar-se de Uplistsikhe. A boleia até ia para o caminho certo rumo a Uplistsikhe, mas o pobre homem confuso e sem saber bem por onde nos levar, deixou-nos num cruzamento no meio do nada do interior geórgio. Com a ajuda de uns locais que ali passavam, ficámos a saber que a estrada certa era aquela por onde seguira a boleia anterior! Que falhanço. Estávamos seguros que passaríamos o resto do dia ali no meio do nada, mas não, poucos minutos depois apanhámos boleia de um judoca que nos levou até ao cruzamento que dá para a vila de Uplistsikhe. Faltavam apenas fazer 7 km de novo no meio do nada, onde não passam carros nenhuns! No problem, ao virar da esquina estava um polícia muito simpático dentro de um luxuoso bólide de vidros fumados. Nem ousámos se aproximar da viatura, foi ele que nos chamou e gentilmente nos levou até à entrada das ruínas!🙂

Uplistsikhe é de facto um lugar soberbo, dos melhores que já vi em tantas viagens. A atracção principal é o complexo de grutas de todas as formas e tamanhos, construídas para diferentes fins numa sociedade que deveria ser muito organizada, eficiente e limpa. Nas paredes de pedra esculpida não faltam sequer prateleiras. Por todas as ruas se encontram escadarias e regos para a água. Nos caves principais os baixos-relevos nos tectos imitam na perfeição as formas que se encontravam nos palácios de impérios como o Persa. Inclusive há tectos esculpidos na rocha imitando complexas estruturas de madeira! Que maravilha! Além de toda esta riqueza histórica e arquitectónica, a paisagem de vales em volta é de cortar a respiração e de um dos lados vê-se ruínas de uma outra época (mais recente creio)! A todos aqueles que planeiem visitar um dia a Geórgia, aconselho-vos vivamente a visitar Uplistsikhe!

Para sair de Uplistsikhe foi um grande problema, dos poucos carros que passaram nenhum parou nos levar. Tivemos que optar pelo mais duro, caminhar. Andámos cerca de 5 km sob um calor insuportável de malas às costas, até que por fim nos apareceu a boleia do dia. Um táxi geórgio com um cliente neozelandês que nos levou até à cidade de Gori (para entrar na auto-estrada), e daí mais umas dezenas de quilómetros até ao cruzamento com a auto-estrada rumo ao norte. O calor era cada vez mais, já nem parados aguentávamos o calor. Felizmente não levámos muito tempo a apanhar boleia de um bólide conduzindo pelo neto de um antigo jogador do Dínamo de Tbilisi que ganhou a Taça UEFA em 1981 e que jogou pela selecção da URSS contra Portugal, defrontando por uma vez Eusébio! Com mais uma boleia avançámos até à cidade quasi-fantasma de Zhinvali. Que filme, uma vila de 2000 pessoas (onde estão não sei) na qual o melhor que se encontra são mini-mercados na rua principal sem electricidade nem gente a atender e com os produtos a apodrecer. Surreal, no mínimo… de tantas voltas e conversas absurdas com bêbados e com A Tradutora da vila, acabámos por encontrar boleia para o lago Zhinvali sem voltar à estrada principal. Parecia que estávamos em mais um filme Kusturiciano!

Álbum de Ananuri

Finalmente em Ananuri, um vilarejo histórico ao lado do lago, largámos as malas e saltámos para dentro de água! Que lago e paisagem maravilhosa. Infelizmente já era quase noite e não deu para aproveitar muito. Fomos pedir aos donos de uma casa ao lado se nos deixavam usar a relva do jardim e, além da resposta positiva, recebemos peixe assado, peixe acabado de ser pescado no lago, legumes e um fogão emprestado para cozinhar. Mesmo em frente a nós no parque do lago fui encontrar um checo reparando a sua mota a quem pedi fita-adesiva para reparar a nossa tenda. Como é de adivinhar, o checo e um amigo seu acabaram por vir jantar connosco e trouxeram-nos cerveja com a qual acabámos o dia em bem…

Luís Garcia

 

Carnet de voyage de Claire #36 et #37

10 Juillet 2014

11 Juillet 2014

 

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