Gamzovo, Bulgaria, 2014

bulgaria

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Bulgaria-Turkey Border, 2014

bulgaria

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Location: 

Haskovo, Bulgaria, 2014

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Location: https: 

Plovdiv, Bulgaria, 2014

bulgaria

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Location: 

Sofia, Bulgaria, 2014

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Location: 

Simitli, Bulgaria, 2014

bulgaria

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Location: 

Sandanski, Bulgaria, 2014

bulgaria

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Location: 

Prilep (Macedonia) to Sandanski (Bulgaria), 2014

montenegro

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SILK ROAD TRIP #14 – Hitchhiking from Bulgaria toTurkey

bulgaria

 

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

20.06.2014, 16th day of the trip


PORTUGUÊS
: A manhã começou mal, com alguém a bater na tenda às 6h da manhã. Era um velho cigano, de bengala, pedindo tabaco. Mandámo-lo embora e tentámos em vão adormecer de novo. O sol já brilhava (e muito) e o tráfego intenso de carros e camiões na estrada ali mesmo ao lado era ensurdecedor. Para continuar em onda negativa, fomos descobrir que nós e a tenda estávamos enterrados em lama. Limpar a tenda e a nós próprios numa poça de água, andando entretanto para trás e para a frente encima de mais lama… ahhh, que filme, o que costuma levar 5 minutos levou 1 hora!

Antes de recomeçar a boleia voltámos à mesma estação de serviço do dia anterior, para espanto dos mesmos 2 funcionários que lá estavam há 10 horas atrás. Sem quaisquer problemas pegámos em toalhas, gel de duche, escova de dentes e fomos para as casas-de-banho nos limpar um pouco. Afinal, os dias passam e banho nada!

Depois de pseudo-banhos e pequeno-almoço (salvé ó mini-fogão!) começámos a boleia ali mesmo, ao lado da estação. Fomos levados pouco tempo depois por um turco da Bulgária e uma búlgara, ambos advogados atrasados para um encontro com clientes na Grécia, uma empresa de transporte de mercadorias acusada de fazer entrar emigrantes ilegais dentro do espaço Shengen. Apesar do enorme atraso e dos constantes telefonemas do patrão, insistiram em nos levar à fronteira turco-búlgara, conduzindo a uma velocidade louca por entre uma infinidade de camiões de mercadorias deslocando-se sobre uma estrada completamente destruída. Com esse vai-e-vem até à fronteira fizeram 30 km extra e perderam imenso tempo precioso. O melhor foi no fim, quando ao despedirem-se, estes 2 jovens advogados com uma boa carreira e bem-sucedidos na vida nos disseram. “ah, como vos invejamos tanto, quem no dera poder fazer o mesmo que vós”! E podem, melhor e mais que nós, respondemos eu e Claire…

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Eu, Claire e a advogada búlgara que nos deu boleia até à fronteira búlgaro-turca

Na fronteira, em Kapikule, a burocracia do costume, com a vantagem de estar a entrar na Turquia, um país onde mesmo nos postos fronteiriços podemos rir, conversar e tirar fotos com os guardas de serviço. toda a gente quis nos vir dar as boas-vindas, inclusive saindo dos gabinetes para nos vir cumprimentar! Que excelente recepção!

Atravessada a fronteira, foi o “choque esperado”, pois não sendo a nossa primeira visita à Turquia, a mudança radical de cores, cheiros, formas, caras, costumes, … prende de facto a nossa atenção. E além do mais sentimos o agradável contraste ao passar de uma Bulgária encardida de uma sujidade urbana pós-industrial, para uma Turquia limpa, cheia de jardins e flores, cheirando bem a Médio-Oriente (ainda que Kapikule se encontre bem dentro do continente europeu)!

De Kapikule fomos à boleia até à entrada de Edirne, onde apanhámos outra boleia de imediato para a saída da cidade rumo a Istmbul. Daí apanhámos boleia de um velhinho muito simpático que nos levou ate Çorlu, onde nos pagou 2 chás a cada e ofereceu uma garrafa de água grande e fresca. Pelo que percebemos o seu filho é piloto de aviação na SunExpress, de modos que tem a enorme sorte de viajar de graça frequentemente um pouco por todo lado na Europa e Médio-Oriente!!! Insistiu imenso para virmos com ele até Antalya, onde nos daria casa e comida e nos apresentaria a família, mas não, tínhamos outros planos, uma rota bem distinta e amigos à espera em Istambul “ali mesmo ao lado”.

Em Çorlu, quando saímos do camião do velhinho em plena auto-estrada, demos com outro camião ao lado e com o condutor de fora a falar ao telemóvel. Fomos falar com ele e voilá, boleia para Istambul! Uma vez mais fomos encontrámos uma adorável pessoa que fez tudo o que pode por nós, necessário ou extra-ordinário:

  • Para começar arranjou-nos contactos de amigos em Antalya, uma cidade muito turística no sul, onde ele julga que poderíamos facilmente arranjar trabalho muito bem pago (dado que falamos inglês, francês e espanhol). Quem sabe daqui a um ano, quando voltarmos já a falar razoavelmente russo, a língua principal dos turistas em Antalya. Aí sim acredito lá poder trabalhar!;
  • Depois convidou-nos e insistiu para que viéssemos com ele a Adana, a sua terra natal que conhecemos bem de outras viagens e onde temos também amigos. Apesar da amável insistência recusámos, guardando os contactos para uma eventual visita mais tarde;
  • Para nossa enorme surpresa, ficámos a saber que viajou imenso pela Ásia Central (em trabalho) e que conhece imensos sítios da nossa lista de locais a visitar em países como o Cazaquistão, Uzbequistão ou Tajiquistão. Sem fazer conta, encontramos a pessoa certa para nos dar informações e contactos na Ásia Central que irão ser muito úteis daqui a umas semanas;
  • Parou numa estação de combustível para nos comprar sumos;
  • Nos subúrbios longínquos de Istambul, levou-nos a beber café no parque de camiões onde iria passar o resto do dia. Em seguida foi esperar connosco na paragem onde apanhámos um autocarro directo para o centro da cidade (perto da casa dos nossos amigos), bilhetes pagos por ele, como é óbvio! Afinal, estamos na Turquia!

Um grande dia, sem dúvida!

Luís Garcia

SILK ROAD TRIP #13 – Hitchhiking in Bulgaria

bulgaria

 

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19.06.2014, 15th day of the trip


PORTUGUÊS
: O pequeno-almoço, tomado no jardim da praça central, ao lado da tenda, foi uma sopa instantânea e ameixas que apanhámos numa das árvores que circundavam a tenda. Depois de desmontada a tenda fomos trocar dinheiro num banco e  caminhámos cerca de 1 km até um bom lugar para fazer boleia na direcção de Sofia, a capital do país. A espera foi acima do normal, cerca de meia hora, mas tudo, conseguimos avançar umas dezenas de quilómetros até Simitli no carro de uma família de grego da Bulgária. A filha era completamente apática, nem sequer tirou os fones de onde berrava pop music norte-americana para nos dizer “Olá”. A mãe era muito gentil e curiosa, mas o seu marido conservador e besta reprimia-lhe a fala. O chefe de família e condutor de serviço era um bronco com cara de mafioso que aceitou nos levar até Simitli de graça (a pedido da sua esposa). Para viajar com eles até Sofia teríamos de pagar. Disse que sim para Simitli e acabou o assunto. De Simitli apanhámos boleia de um búlgaro muito simpático, com sorriso de menino, que nos deixou junto à circular da cidade onde se encontra a saída para a cidade de  Plovdi, rota directa para a Turquia. Comemos o que foi possível naquele caos urbano pós-nuclear e recomeçámos a boleia numa bomba de combustível. Aí um jovem búlgaro-jordano ofereceu-se para nos tirar dali e deixar-nos uns quilómetros à frente, mais perto da estrada que leva a Plovdiv. Já estávamos a abrir a porta e agradecer a gentileza quando, para nosso espanto, o rapaz diz-nos que “Se esperarem 1h30m, durante a qual me encontrarei com amigos, posso levar-vos para Plovdid, onde vou visitar outros amigos”! Dada o péssimo local para fazer boleia em que nos encontrávamos (zona urbana de auto-estradas e circulares), aceitámos a proposta, e ainda bem, pois pouco depois começou a chover. No shopping em que ele se encontrou com os amigos aproveitámos para fazer compras, beber café, usar internet wi-fi, usar as casas-de-banho e nelas roubar um pouco de papel higiénico, hehe!

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Jordano-Búlgaro e Claire

Em Plovdiv andámos 1h30m a pé às voltas, cerca de 5km, de malas às costas e exaustos. Tínhamos um mapa do googlemaps, tínhamos bússola, e ainda assim, não víamos forma de sair daquele pesadelo. Aparentemente os nomes das ruas no google não batem certo com os nomes afixados nos prédios. Desistimos de seguir os nomes, pegámos na bússola e seguimos para leste em linha recta durante mais 15 minutos e por fim saímos da zona urbana! E mais, descobrimos que por 2 vezes tínhamos estado bem perto da saída! Que raio de trabalho fez o pessoal do googlemaps nesta cidade! Em contra-partida a cidade parece ser muito interessante, com história, com identidade. Se fossem restaurados os edifícios e espaços de valor, seria um maravilhoso lugar para viver, estudar ou passear, digo eu…

Na saída da cidade tivemos mais uma boleia até à entrada da via rápida, o que nos iria facilitar imenso a boleia. E assim foi, arranjámos boleia depois do por-do-sol para Haskovo, uma cidade a 80 km da Turquia. A boleia foi muito interessante, o senhor falava fluentemente inglês e trabalhava em projectos de protecção ambiental. Entre muitos outros ensinamentos pertinentes, explicou-me algo que eu nunca tinha pensado antes embora agora pareça óbvio: ainda que parcialmente favorável ao antigo regime comunista pró-soviético, o senhor apontava um erro grave das decisões governamentais (ainda que a intenção pudesse ser boa). Durante o período comunista a produção alimentar era controlada totalmente pelo estrado central, no intuito de melhor distribuir os recursos alimentares e acabar com a fome na Bulgária. O plano funcionou, mas os danos colaterais foram graves. A Bulgária era um país com grandes tradições culinárias até ao início da era comunista; durante esta, a complexidade e riqueza gastronómica desceram drasticamente de forma a não permitir que elites e ricos esbanjassem em manjares de luxo, ou mais ou menos bons, matéria orgânica comestível que poderia alimentar 100% da população com comida que satisfizesse as necessidades nutricionais de toda o país, em detrimento do valor gastronómico tradicional. E assim, durante duas gerações em que a classe média (aquela que cria e mantém tradições gastronómicas) passou a comer, igual à classe pobre, ração de sobrevivência, o savoir faire da culinária búlgara morreu. Agora é, em princípio, tarde de mais, assegurou-nos o senhor.

Chegámos a Haskovo muito tarde, durante a noite, mas ainda assim tentámos a boleia numa bomba de combustível. Não funcionou e fomos montar a tenda numa plantação de milho à beira-estrada.

Luís Garcia

SILK ROAD TRIP #12 – Hitchhiking from Macedonia to Bulgaria

montenegro

 

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18.06.2014, 14th day of the trip


PORTUGUÊS
: Acordar num jardim à beira de um precipício com vista para o lago Ohrid é o que se pode chamar Campismo 5 Estrelas! E gratuito, pois claro. Para completar o cenário idílico, estreámos o nosso novo fogão no qual preparámos café turco para aquecer e despertar o corpo, enquanto sentados no muro observávamos a maravilha de paisagem do lago Ohrid e das montanhas macedónias e albanesas em volta.

De volta à cidade telefonámos a Ibrahim e combinámos um encontro na esperança que ele nos arranjasse uma boleia para a Turquia num camião de amigos seus turcos, tal como prometera tentar. Mas não, não deu em nada. Em contrapartida convidou-nos uma vez mais a almoçar no centro, onde demos com uma situação muito estranha: em plena praça central de uma das maiores cidades macedónias desfilavam em estilo militar uma multidão de escuteiros turcos da macedónia, com símbolos turcos por todo o lado, inclusive uma enorme bandeira turca! Que confusão este país! Ainda ontem tínhamos encontrado várias bandeiras albanesas espalhadas um pouco por todo lado!

Do centro fomos a pé até à saída norte da cidade, onde apanhámos uma boleia para Bitola. Em Bitola, sem sabermos, fomos largados na saída sul da cidade. Em poucos minutos apercebemo-nos do facto e concluímos que dali não arranjaríamos tão depressa boleia em direcção a nordeste (Bulgária). Porquê? Porque quem fosse de Bitola para a capital sairia pela estrada nordeste e não sul, e na saída do sul apenas passavam carros em direcção a Ohrid (de onde tínhamos vindo há pouco). Sem demoras recomeçámos a boleia na estrada ao lado, rumo ao centro da cidade, e um minuto depois passou um simpático senhor que ia para o centro mas que gentilmente nos levou até à saída nordeste (que nós pretendíamos), fazendo para tal uns quilómetros extra! Que altruísmo! 🙂  Pouco tempo depois apanhámos outra boleia para a grande cidade seguinte: Prilep.

Uns minutos antes de chegar a Prilep começou uma enorme tempestade. Quando saímos do carro a chuva já tinha parado, para voltar 2 minutos depois de forma ainda mais violenta. Corremos que nem loucos para fugir à chuva, de malas às costas, em direcção a um armazém industrial que, quando lá chegámos, descobrimos estar fechado com portões. Aguentámos um pouco encostados aos portões mas a tempestade que ia aumentando de intensidade obrigou-nos a saltar os portões e invadir propriedade privada. Agora estávamos abrigados da chuva, mas entalados num imundo armazém de serralharia. Esperámos imenso, no entanto a tempestade teimava em continuar. Concluímos que iríamos ficar por ali. O problema seria montar a tenda naquela imundice, ainda mais em propriedade industrial privada. Desesperados, escondemos-se atrás da entrada do escritório e acendemos o nosso fogão para fazer uma sopa. A água ainda não estava quente quanto de repente apareceu um sol intenso e a chuva e vento tinham cessado! Se fosse crente diria ter se tratado de um milagre. Descrente que sou, digo que “tivemos cá uma sorte”!!!

E claro, voltámos à estrada, chateados pelo imenso tempo perdido, seguros que já não alcançaríamos a Bulgária neste dia, pois começava a entardecer. Mas não, milagre!, um camião conduzido pelo amável Atanas, cidadão búlgaro, recolheu-nos e levou-nos numa viagem de mais de 200 km para a sua terra natal Sandanski, na Bulgária! “Que sorte”!!! Enquanto ouve luz olhámos maravilhados a cadeia montanhosa que constitui a fronteira natural entre a Bulgária e a Grécia ali mesmo ao lado. Já noite chegámos à fronteira onde tive que aturar a paralisia mental de uma guarda fronteiriço búlgaro. Um déjà vu esperado, afinal, não há visita à Bulgária sem apanhar com filmes de polícias búlgaros! O raio do guarda fronteiriço, imagine-se, lembrou-se de me colocar uma série de questões do género “de onde vens”, “para onde vais”, “que pretendes fazer no meu país”, etc!!! Ah, que imbecilidade, ainda ninguém explicou a este otário que a Bulgária faz parte da UE e que eu tenho o direito de entrar e ficar o tempo que me apetecer na Bulgária, fazendo o que me apetecer, sem prestar quaisquer explicações? Parecia que estava a entrar na Coreia do Norte ou Birmânia, mas não, tecnicamente estava a sair de um país estrangeiro (Macedónia) e voltar ao meu território nacional da União Europeia. Enfim, respondi divertido a todas as perguntas, curioso por ver até onde iria a estupidez do jovem senhor! Ahahah!

Por volta das 10h da noite estávamos por fim em Sandanski, onde trocámos de camião para um carro de 2 lugares numa garagem da zona industrial, e daí fomos até ao centro, Claire sentada ao lado do condutor, eu fechado dentro da caixa, hehe! :p No centro, demos-se ao luxo de cozinhar com o nosso novo fogão numas escadas de um jardim, onde jantámos. Para acabar em bem o dia, encontrámos um jardim limpíssimo, com relva, árvores para proteger a tenda da chuva e arbustos para tapar a tenda. Perfeito, podíamos assim dormir no centro do centro, em conforto e segurança, e sem que ninguém desse por nós!

Luís Garcia

Border Bulgaria-Romania to Bucharest by train, Romania, 2008

Crossing Bulgaria by train, 2008

Photo album made in Bulgaria:

Crossing Serbia and Bulgaria by train, 2008

The Trains, Sudeleste 2008