Prilep (Macedonia) to Sandanski (Bulgaria), 2014

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Prilep, Macedonia, 2014

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Bitola to Prilep, Macedonia, 2014

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Bitola, Macedonia, 2014

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Ohrid City III, Macedonia, 2014

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Madmax Cars

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Church St. John Theologian-Kaneo, Ohrid, Macedonia, 2014

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Monasteries, Castel & Anphytheatre, Ohrid, Macedonia, 2014

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SILK ROAD TRIP #12 – Hitchhiking from Macedonia to Bulgaria

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ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

18.06.2014, 14th day of the trip


PORTUGUÊS
: Acordar num jardim à beira de um precipício com vista para o lago Ohrid é o que se pode chamar Campismo 5 Estrelas! E gratuito, pois claro. Para completar o cenário idílico, estreámos o nosso novo fogão no qual preparámos café turco para aquecer e despertar o corpo, enquanto sentados no muro observávamos a maravilha de paisagem do lago Ohrid e das montanhas macedónias e albanesas em volta.

De volta à cidade telefonámos a Ibrahim e combinámos um encontro na esperança que ele nos arranjasse uma boleia para a Turquia num camião de amigos seus turcos, tal como prometera tentar. Mas não, não deu em nada. Em contrapartida convidou-nos uma vez mais a almoçar no centro, onde demos com uma situação muito estranha: em plena praça central de uma das maiores cidades macedónias desfilavam em estilo militar uma multidão de escuteiros turcos da macedónia, com símbolos turcos por todo o lado, inclusive uma enorme bandeira turca! Que confusão este país! Ainda ontem tínhamos encontrado várias bandeiras albanesas espalhadas um pouco por todo lado!

Do centro fomos a pé até à saída norte da cidade, onde apanhámos uma boleia para Bitola. Em Bitola, sem sabermos, fomos largados na saída sul da cidade. Em poucos minutos apercebemo-nos do facto e concluímos que dali não arranjaríamos tão depressa boleia em direcção a nordeste (Bulgária). Porquê? Porque quem fosse de Bitola para a capital sairia pela estrada nordeste e não sul, e na saída do sul apenas passavam carros em direcção a Ohrid (de onde tínhamos vindo há pouco). Sem demoras recomeçámos a boleia na estrada ao lado, rumo ao centro da cidade, e um minuto depois passou um simpático senhor que ia para o centro mas que gentilmente nos levou até à saída nordeste (que nós pretendíamos), fazendo para tal uns quilómetros extra! Que altruísmo! 🙂  Pouco tempo depois apanhámos outra boleia para a grande cidade seguinte: Prilep.

Uns minutos antes de chegar a Prilep começou uma enorme tempestade. Quando saímos do carro a chuva já tinha parado, para voltar 2 minutos depois de forma ainda mais violenta. Corremos que nem loucos para fugir à chuva, de malas às costas, em direcção a um armazém industrial que, quando lá chegámos, descobrimos estar fechado com portões. Aguentámos um pouco encostados aos portões mas a tempestade que ia aumentando de intensidade obrigou-nos a saltar os portões e invadir propriedade privada. Agora estávamos abrigados da chuva, mas entalados num imundo armazém de serralharia. Esperámos imenso, no entanto a tempestade teimava em continuar. Concluímos que iríamos ficar por ali. O problema seria montar a tenda naquela imundice, ainda mais em propriedade industrial privada. Desesperados, escondemos-se atrás da entrada do escritório e acendemos o nosso fogão para fazer uma sopa. A água ainda não estava quente quanto de repente apareceu um sol intenso e a chuva e vento tinham cessado! Se fosse crente diria ter se tratado de um milagre. Descrente que sou, digo que “tivemos cá uma sorte”!!!

E claro, voltámos à estrada, chateados pelo imenso tempo perdido, seguros que já não alcançaríamos a Bulgária neste dia, pois começava a entardecer. Mas não, milagre!, um camião conduzido pelo amável Atanas, cidadão búlgaro, recolheu-nos e levou-nos numa viagem de mais de 200 km para a sua terra natal Sandanski, na Bulgária! “Que sorte”!!! Enquanto ouve luz olhámos maravilhados a cadeia montanhosa que constitui a fronteira natural entre a Bulgária e a Grécia ali mesmo ao lado. Já noite chegámos à fronteira onde tive que aturar a paralisia mental de uma guarda fronteiriço búlgaro. Um déjà vu esperado, afinal, não há visita à Bulgária sem apanhar com filmes de polícias búlgaros! O raio do guarda fronteiriço, imagine-se, lembrou-se de me colocar uma série de questões do género “de onde vens”, “para onde vais”, “que pretendes fazer no meu país”, etc!!! Ah, que imbecilidade, ainda ninguém explicou a este otário que a Bulgária faz parte da UE e que eu tenho o direito de entrar e ficar o tempo que me apetecer na Bulgária, fazendo o que me apetecer, sem prestar quaisquer explicações? Parecia que estava a entrar na Coreia do Norte ou Birmânia, mas não, tecnicamente estava a sair de um país estrangeiro (Macedónia) e voltar ao meu território nacional da União Europeia. Enfim, respondi divertido a todas as perguntas, curioso por ver até onde iria a estupidez do jovem senhor! Ahahah!

Por volta das 10h da noite estávamos por fim em Sandanski, onde trocámos de camião para um carro de 2 lugares numa garagem da zona industrial, e daí fomos até ao centro, Claire sentada ao lado do condutor, eu fechado dentro da caixa, hehe! :p No centro, demos-se ao luxo de cozinhar com o nosso novo fogão numas escadas de um jardim, onde jantámos. Para acabar em bem o dia, encontrámos um jardim limpíssimo, com relva, árvores para proteger a tenda da chuva e arbustos para tapar a tenda. Perfeito, podíamos assim dormir no centro do centro, em conforto e segurança, e sem que ninguém desse por nós!

Luís Garcia

SILK ROAD TRIP #11 – Enjoying life in Ohrid, Macedonia

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17.06.2014, 13th day of the trip


PORTUGUÊS
: De manhã, antes de desmontar-nos a tenda, tomámos como pequeno-almoço o resto do almoço oferecido no dia anterior por Ibrahim O Milionário. Desmontada a tenda, pegámos nas malas e começámos a caminhar em direcção ao centro. Não tínhamos sequer caminhado 300 metros quando um simpático senhor (Erkan) nos chamou e convidou a beber café turco na sua barbearia, na companhia de um amigo seu albanês. Erkan é um macedónio de etnia turca, o que facilitou imenso a conversa. Depois de comer lokum (especialidade turca) e  de ter tido  interessantes discussões sobre a Turquia, a Macedónia e a estupidez nacionalista grega de não aceitar que a Macedónia tenha o nome e bandeira que tem (a Grécia inclusive vetou sucessivamente a candidatura de adesão da Macedónia à UE por esta ridícula razão), pedidos para nos guardar as malas e partimos de costas leves em direcção ao centro da cidade de Ohrid.

Claire, Erkan & o seu amigo albanês bebendo café turco na barbearia.

Depois de uma curta visita à cidade, e debaixo de chuva, subimos o monte à beira-lago onde se encontram quase todos os tesouros históricos e arqueológicos da cidade.  Ainda debaixo de chuva visitámos algumas igrejas, o anfiteatro e o castelo mas, felizmente, a caminho das duas atracções principais, o sol apareceu! 🙂 Tentámos primeiro visitar o Mosteiro São Clemente de São Paneleimon, mas acabámos por fotografar de fora, chocados e enraivecidos por ver o mosteiro e as ruínas adjacentes de uma antiga basílica cristã envoltos em construções turísticas megalómanas e claustrofóbicas. Não gastam um cêntimo a recuperar e/ou proteger as ruínas que ainda subsistem e metem-se com obras de uma escala absurda que comprovadamente destroem o que resta da ruínas, tudo isto para construir empreendimentos turísticos que têm a ignominioso descaramento de se apresentarem como réplicas das ruínas que estão a destruir com as obras! Ahhh, não há paciência para este capitalismo selvagem e as respectivas massas turísticas abestalhadas que suportam tudo isto com os seus desejos de férias à lord em locais de sonho como este. Podem e devem ter, pois claro, sonhos do género, mas não financiem com os seus orçamentos de férias crimes contra a história e a cultura pernoitando num hotel de luxo como aqueles que querem fazer aqui! Ah, e como se não fosse suficientemente ridícula a situação, ainda nos pediram quase 2 euros para entrar e visitar o mega-estaleiro lamacento no qual se encontra perdido no meio o tal Mosteiro São Clemente de São Paneleimon!!!

Desiludidos com a catástrofe cultural, descemos rápido a falésia até alcançar o outro tesouro histórico, a Igreja de São João Theologian-Kaneo. Aqui sim, tivemos a agradável surpresa de encontrar um igreja linda e antiquíssima, envolta por um belo jardim que acaba mesmo à beira do precipício do qual se tem uma soberba vista do lago Ohrid! O melhor é verem o álbum:

Album da dormida junto à Igreja de São João Theologian-Kaneo

De volta à cidade, regalámo-nos com um banquete que custou 1,5€ a cada e fomos ao mercado central comprar equipamento extra para a viagem: um mini-fogão a gás, uma mini botija extra e um taça metálica com os quais já podemos fazer sopa e café! 🙂

Como era de adivinhar, à noite subimos o monte de malas às costas com o objectivo fixo de montar a tenda e dormir naquele jardim perfeito, entre a igreja antiga e o lago Ohrid. Quando chegámos à entrada demos com uma scooter estacionada e com luz acesa na casinha do guarda. Aproximei-me, ouvi barulho dentro da casinha e continuei a caminhar para dentro do recinto da igreja. Pareceu-me tudo muito calmo, não havia visitantes e o guarda deveria estar a dormir. O barulho na casinha deveria ser de um rádio ou de uma televisão. Voltei atrás para pegar na mala e chamar Claire. Entrámos os 2 no recinto, pé ante pé, até chegar ao ouro lado do jardim, à beira do precipício, onde havia relva macia e um espaço de ângulo morto, no qual daria para montar uma tenda sem que esta pudesse ser vista por quem eventualmente caminhasse no passeio principal em redor da igreja.

Por volta da 1h da manhã ouvimos o som das cordas da tenda a mexer e de seguida alguém a bater à porta com violência! Falei em inglês e pedi para ter calma e que não tivesse medo de nós, e que eu iria sair da tenda para falar. Achávamos mesmo que tínhamos sido apanhado pelo guarda e que a noite de sonho se tinha tornado num pesadelo. Mas não, quando saí da tenda dei com 2 turistas a tirar fotos ao lago com os seus telemóveis. De início ainda olharam para mim, quando saí de forma apressada da tenda, mas depois ignoraram-nos completamente! Percebo que no escuro tenham tropeçado numa das cordas da tenda, mas ainda estou para perceber por que raios bateram com tanto vigor na entrada da tenda para de seguida nos ignorarem, mesmo constatando que eu e Claire olhámos ostensiva e prolongadamente para os 2 enquanto estes não partiram! Enfim, mais um filme….

Luís Garcia

Ohrid City II, Macedonia, 2014

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Ohrid City, Macedonia, 2014

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Walking away of Struga, Macedonia, 2014

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Ohrid Lake in Struga II, Macedonia, 2014

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Ohrid Lake in Struga, Macedonia, 2014

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Kičevo, Macedonia, 2014

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Skopje, Macedonia II, 2014

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Skopje, Macedonia, 2014

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1st Kilometers in Macedonia, 2014

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SILK ROAD TRIP #10 – Between Struga & Ohrid, Macedonia

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16.06.2014, 12th day of the trip


PORTUGUÊS
: Os mesmos cães que ontem tinham nos feito adiar o sono, esta manhã fizeram-nos acordar demasiado cedo. Tentámos em vão adormecer várias vezes, mas já não havia remédio. Saí da tenda e fiquei pasmado com a quantidade de pegadas de cães marcas em circulo na areia à volta da tenda! Enfim, antes isso do que ter de aturar turistas estrangeiros paranóicos olhando parados para a nossa tenda e resmungado qualquer coisa em alemão ou algo parecido. Ah, que raiva que me meteram! Para me vingar da afronta, fotografei-os descaradamente até que enfurecidos mas receosos, se puseram a andar dali para fora. Acabei por encontrá-los meia-hora depois quando voltava de fazer compras no centro de Struga, e aproveitei para mandar mais umas piadas em bom português. Ahhh, que cara de susto que tinham os 2! Para a próxima que não sejam brutos, e que deixem-se de arrogantes preconceitos!

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Depois do pequeno-almoço tomado na praia mesmo em frente, e com o sol a aquecer a pele, aproveitámos para mais uns bons banhos antes de nos pormos à estrada. Era manhã ainda ncontrávamo-nos a cerca de 15 km do próximo destino, a cidade de Ohrid. Tínhamos portanto uma boa margem de tempo para lá chegar, de forma que decidimos fazer os primeiros quilómetros a pé, pouco a pouco, pela costa do lago, com paragens para comer e tirar fotografias. Infelizmente as condições meteorológicas pioraram em  muito pouco tempo e vimo-nos obrigados a apressar o passo para procurar abrigo. Não chegou a ser preciso, quando nos preparávamos para atravessar uma estrada em direcção a uma estação de combustível para fugir à chuva que começava a cair, um Mercedes luxuoso (mais um!) parou ao nosso lado! Dentro do bólide iam 2 senhores na casa dos 60. O condutor, Ibrahim, um carismático businessman macedónio de etnia turca que tornou-se milionário após décadas a trabalhar na restauração em Dallas, no estado norte-americano do Texas. Minutos depois chegámos a Ohrid. Ibrahim estacionou o carro em frente à sua e saiu com o seu amigo, deixando-nos os 2 dentro com a chave e o motor a trabalhar. O seu amigo ia para casa, e Ibrahim foi tirar da rua os tapetes que tinha deixado ao sol. De volta ao carro, convidou-nos para almoçar com ele. Aceitámos, pois claro, e ainda bem, fomos nos banquetear num luxuoso restaurante na praça central, ao som da sua caricatural pronúncia texana e da infinita lista de coisas caríssimas e enormes que tem, construiu, ganhou, vendeu ou comprou! Dólares só contava aos milhões, casas às centenas de metros quadrados! Ah, que loucura, que choque! Ibrahim, com muito orgulho, contou-nos como se desenrasca a comprar a complacência e mesmo a cumplicidade das autoridades locais pagando almoçaradas à polícia e bombeiros, e oferecendo comida a centenas de pobres da cidade no dia de Acção de Graças. Também se divertiu a contar a conversa que um dia teve com um norte-americano desagradado com o facto de ser pobre e de se deparar com tantos estrangeiros ricos ou milionários na sua própria terra. Ibrahim, com toda a sinceridade disse-lhe que a culpa era desses mesmo pobres norte-americanos, pois quando chegara aos EUA era um miúdo de 13 anos que tinha sobrevivido até então pastando animais na sua pobríssima terra natal. E mais, se estrangeiros se tornaram e tornam ricos nos EUA é por culpa da imbecilidade e estupidez dos norte-americanos, pois se fossem inteligentes, pastores de ovelhas como ele, adolescentes, incapazes de compor uma frase em inglês à chegada aos EUA, poderiam se ter facilmente transformado em escravos dos norte-americanos. Mas não, como os norte-americanos não têm inteligência nem perspicácia, não só não escravizaram os estrangeiros como ainda por cima lhes deixaram o caminho livre para enriquecer com as inúmeras oportunidades que os EUA proporcionam. O norte-americano, sem palavras, não teve outra solução senão a de dar-lhe razão… Entre inúmeras estórias do género, fomos nos enchendo até mais não, e chegou a um ponto que era impossível comer mais. Pedimos ao garçon para nos embalar o que sobrava e guardámos para o dia seguinte.

Depois de jantar Ibrahim levou-nos de volta até junto da sua casa, ao lado do lago Ohrid. Garantiu-nos que podíamos montar a tenda no parque ao lado do bar do seu amigo Agim, macedónio-albanês (também emigrante nos EUA, que enriqueceu e perdeu tudo no jogo). Ainda estivemos para montar a tenda, mas apareceu a filha desse seu amigo que nos convidou a entrar no bar.  Esperámos por Agim para pedir para emprestar a chave do bar e guardar as malas ali mas, quando Agim chegou, os planos mudaram radicalmente. Agim convidou-nos a pernoitar num dos seus “quatro restaurantes”. Aceitámos e fomos lá por as malas, ficando livres para passear o resto da noite sem peso às costas. às 10 da noite, como combinado, voltámos ao bar para ir dormir mas afinal Agim que era o suposto dono do restaurante disse-nos que o dono não permitia que lá ficássemos! Enfim, estórias mal contadas. Pegámos as malas e regressámos a zona do bar junto ao lago. Connosco o empregado do bar, deficiente mental (sim, literalmente) que até meio do caminho andou calado, e que partir daí começou a falar sem parar em macedónio, falando mal dos ortodoxos e bem dos muçulmanos, e que nos dava casa (ou não) e não sei que mais! Ah, que confusão. Nós estávamos exaustos e tínhamos pressa de chegar para largar as malas, mas o raio do homem deu voltas e mais voltas, com cruzamentos e caminhos ilógicos que pareciam não ter fim. Porquê? Não sei, é louco claro, pois se tivesse ido sozinho, sabia como ir em linha recta usando apenas uma rua que liga o centro ao parque, e só lá estava há poucas horas, enquanto o raio do homem nasceu e cresceu em Ohrid! Ah, que paciência!  E não é tudo, quando finalmente chegámos ao parque havia uns gorilas de aspecto muito manhoso, com música de merda aos berros saindo pelas janelas de carros poderosos. O raio do homem foi todo contente contar àquela gente manhosa que eu e a Claire íamos dormir ali com tenda! Íamos, pois, mas tivemos de mudar de planos. Aproveitando a escuridão absoluta, escapámo-nos em silêncio e fomos monta a tenda discretamente sobre um campo de erva macia em frente à casa de Ibrahim, camuflado por um monte de terra repleto de erva alta! E assim acabou o dia….! :p

Luís Garcia

SILK ROAD TRIP #9 – Skopje to Struga, Macedonia

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15.06.2014, 11th day of the trip

PORTUGUÊS: Mais um amanhecer tranquilo, desta vez numa tenda escondida num jardim. Fizemos as malas e partimos em direcção ao centro com ideias de encontrar o Bulevar Partizanski,  uma avenida de 6 km em direcção a oeste, no fim da qual se encontra a entrada para a Auto-estrada Madre Teresa de Calcutá (sim era albanesa mas da Macedónia) que atravessa o país de norte a sul, e que acaba perto do mítico lago Ohrid, a nossa próxima paragem prevista. Com ajuda de locais conseguimos descobrir o autocarro certo (número 2) e pegámos um. Tentámos explicar ao condutor que queríamos ir para perto da auto-estrada, mas não percebeu. Uns quilómetros à frente disse-nos algo, mas na dúvida não saímos. Não havia indícios nenhuns de fim de cidade nem de entrada de auto-estrada. Ainda assim saímos 2 estações depois, numa má decisão que tornou-se num pesadelo. Saímos, fomos às compras abastecer para o resto do dia e caminhámos em busca do fim da avenida que teimava em não aparecer. Afinal, tínhamos feito apenas 2 km de autocarro, e acabámos por caminhar mais de 3 km! Desesperados, sem mais energia para caminhar nem tampouco vontade de pagar mais um bilhete para andar, quiçá, apenas mais uma paragem ou duas, decidimos começar a fazer a boleia dentro da cidade, acto que por norma é mal sucedido (boleias não funcionam dentro da cidade)… e foi. Acabámos por apanhar de novo um autocarro mas o condutor, simpático, e que já nos tinha visto 2 vezes no seu vai-e-vem, convidou-nos a entrar de borla! Hehe! 🙂 E pois claro, andámos menos de 1 km no autocarro e chegámos ao fim da linha, numa aldeola de terceiro mundo. Via-se a auto-estrada relativamente perto, mas não havia coragem para andar nem vontade de arriscar seguir em frente para de seguida descobrir que a rua não daria para a auto-estrada e sim para um beco sem saída. Claire tomou a iniciativa e pediu ajuda a um homem sentado dentro do seu carro. Era polícia, macedónio de etnia albanesa e guarda-costas de ministros macedónios. Ofereceu-se prontamente a levar-nos até à entrada da auto-estrada no seu carro. O percurso foi curto, cerca de 1 km, pela rua que tínhamos pensado usar se houvesse forças. Ah, que alivio ter feito este último pedaço de estrada de carro.

Na portagem fomos encontrar uma viatura parada e não hesitámos em pedir boleia. O carro era de um simpático senhor, emigrante na Suiça e de férias na Macedónia, sua terra natal. Ia para Kičevo e aceitou nos levar. Que sorte, 2/3 do trajecto até ao lago Ohrid estavam garantidos. Pelo caminho, sobretudo nos últimos quilómetros antes de Kičevo, avistámos várias centenas de bandeiras da Albânia espalhadas pelos montes, sobre os telhados das casas, nas rotundas… ah, em todo o lado. De lembrar que a minoria albanesa na Macedónia tentou sem sucesso em 2001 uma rebelião no intuito de separar o noroeste do país e albanizá-lo ainda mais, em mais um etapa da criação da Grande Albânia da qual falam todos os albaneses da Albânia, Kosovo, Macedónia e Grécia. Felizmente para a Macedónia, debaixo do solo deste país não existem valiosíssimos minerais como os do subsolo da província sérvia do Kosovo. Por aí se explica que os EUA não tenha aplicado a estratégia do “dividir para reinar” como fizeram com a Jugoslávia, e consequentemente o fracasso das operações terroristas do UÇK na Macedónia em 2001.

Quando chegámos em  Kičevo estava a chover e tínhamos muita fome. Sem hesitar entrámos no primeiro barracão-restaurante que encontrámos nas imediações da paragem de autocarro. Dentro fomos encontrar e “viver mais um filme de Kusturica”. Gente bêbada mas convivial, uma mulher que falava o tempo todo para nós e perdia-se de riso, um cigano velho e muito bem vestido a quem toda a gente local pedia para lhes pagar cerveja e aguardente, um jovem que acreditava saber falar inglês mas que só dizia disparate… ah que filme! Grande diversão, bem a calhar, para nos animar e fazer esquecer a chuva lá fora. Comemos, bebemos café, falámos pelos cotovelos num animado convívio absurdo… e fomos embora felizes da vida quando a chuva finalmente parou.

Parou sim, muito pouco tempo. No tempo que nos levou a atravessar a estrada já chovia de novo. Tivemos que encontrar abrigo e pedir boleia aí, demasiado afastados da estrada. Não iria funcionar aquela boleia. Passada mais de uma hora, fomos à estação e investimos 3 euros cada num bilhete para Struga, uma cidade na costa de Ohrid, o lago Ohrid sim, finalmente! 🙂

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Chegámos a Struga quase às 6 da tarde, ainda a tempo de tomar os primeiros banhos naquela água linda, morna e cristalina. O sol aparecia de tempos a tempos e aquecia imenso. Quando desaparecia, dada a elevada altitude, fica imenso frio. Que confusão. Mas foi muito bom, precisávamos de um banho a sério com água limpa e sabonete, e de nadar para descomprimir o corpo das caminhadas de malas às costas.

Ao fim do dia, com receio da chuva, fomos montar a tenda dentro da obra inacabada de um restaurante mesmo em frente ao lago. Convinha-nos o abrigo, mas montar a tenda sobre cimento não nos estava a apetecer muito. Em mais um golpe de sorte, com ajuda da nossa mini-laterna, encontrámos um monte de areia dentro da obra! Ah, que felicidade. Em poucos minutos aplanámos a areia numa área grande o suficiente para a tenda e montámo-la por cima. Estava tudo a correr bem até aparecer um matilha de cães selvagens para nos chatear a cabeça. Ainda tentei afastá-los várias vezes à pedrada (sim, lamento, teve de ser). O problema foi que, de cada vez que voltavam eram sempre mais e maiores. Chegou a um ponto que já não tive coragem de enfrentá-los e refugiem-me na tenda com a Claire. Foi difícil de adormecer ao início, mas o cansaço e o sono fizeram o seu trabalho, e acabámos por adormecer ao som dos cães a ladrar do lado de fora da tenda…

Luís Garcia