SILK ROAD TRIP #3, Montenegro to Serbia

montenegro

 

07.06.2014

Đurđevića Tara

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

PORTUGUÊS: O terceiro dia de viagem começou bem cedo, com um café no pátio da casa em que passámos a noite. Demos um passeio pela horta do velhinho, impecavelmente organizada (vale a pena ver o álbum de Duži). Pouco tempo depois entrámos os 4 no carro, Suad saiu pouco depois, ficando na casa em construção (que víramos no dia anterior) para ir trabalhar. Ziad, o condutor, foi deixar-nos em Petnjica na estrada principal e voltou para atrás, também para trabalhar.

Depois de quase 3 horas à boleia sem sucesso, fartos de tirar magníficas fotos e derretendo de calor, aproveitámos a passagem do primeiro autocarro do dia e fomos para Žabljak. Zabljak é uma vila estranha, um complexo turístico gigante cheio de pequenas casas de madeira para os turísticas se isolarem confortavelmente no meio das montanhas e comer em restaurantes lounge! Portanto, uma cidade bastante artificial e sem sentido. Demos um breve passeio, com café pelo meio, e voltámos à estrada.

As 2 primeiras, além terem aparecido rápido, foram uma caixinha de surpresas. Na primeira tivemos direito a uma maçã,  um porta-chaves e uma paragem para fotos na famosa ponte Đurđevića Tara. A segunda, de Pljevlja a Bjelo Polje, uma caneta e mais uma paragem para fotografar a mina de carvão e central que abastece metade da rede eléctrica montenegrina. Para passar a fronteira Montenegro-Sérvia, foi um carro de loucos que parou para nos levar, com 3 irmãos bêbados. A viagem foi um absurdo de conversas sem sentido e música balcânica a bombar, mas foi divertida, apesar de tudo. Já na Sérvia, em Prijepolje, insistiram em nos oferecer uma cerveja que aceitámos. Bebemos rápido e recomeçámos a boleia pois começava a ficar tarde para chegar a Niš.

Uma vez mais um longo período de espera sob um tórrido calor, parece que a boleia já não é o que era por estas paragens… é a formatação capitalista-individualista que se vai propagando que nem um retro-vírus, mas que fazer, o antídoto para o vírus existe, não se faz é a prescrição médica por manifesta falta de interesse social. Mas bom, o simpático Andrja fez a gentileza de parar e dar-nos a mais longa boleia até ao momento, cerca de 100 km! De Sevojno, onde nos deixou, ainda conseguimos uma última boleia, mas já não chegaríamos a Niš neste dia, para tristeza nossa que tínhamos amigos à espera nessa cidade e casa onde tomar banho, comer em condições, dormir e descansar em conforto.

De Savojno fomos para Čačak, no carro de um adorável montenegrino (Eko, de Bijelo Polje, a vila da boleia que deu a caneta!) que nos deu fruta e biscoitos, e que fez um desvio para nos deixar onde queríamos, pese embora não conhecesse a região e estivesse com bastante pressa. Como era tarde, tínhamos decidido tentar apanhar um comboio de Čačak para Niš, mas foi um desastre de ideia. Já não havia comboios, nem sequer autocarros. O primeiro autocarro partiria no dia seguinte as 2h30 da manhã, sem garantia, quanto a comboios, ninguém parecia saber nada sobre o assunto. E aí veio a grande dúvida do dia. Esperar até a essa hora num sítio super manhoso e correr o risco de ao final não ter autocarro, ou ir montar a tenda algures num sítio menos manhoso desta feia cidade industrial e perder definitivamente o autocarro. Optámos pela segunda, e conseguimos, não sem primeiro ter vagueado à noite em busca de um canto para montar a tenda, e em segundo apanhar uns sustos com ruídos de passos e cães a ladrar mesmo em frente à entrada da tenda! Que filme!

Luís Garcia & Claire Fighiera

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SILK ROAD TRIP #2, Cetinje to Duži, Montenegro

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06.06.2014

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

PORTUGUÊS: Primeira paragem do dia: o restaurante de Ivan (o “armário sorridente”), para encher a garrafa de água gratuitamente. Segunda paragem: o mesmo lugar de boleia onde não avançámos no dia anterior. E sim, o mesmo problema, boleiadores recolhidos aleatoriamente, e sempre mais e mais a chegar. Quando éramos já 9, um autocarro para Kotor passou e decidimos entrar. Não queríamos por nada perder mais um dia no mesmo lugar. Dentro do autocarro fomos encontrar um casal polaco-espanhol que nos reconheceu do vôo Bruxelas-Podgorica, com quem conversámos até ao fim do trajecto trocando informações sobre destinos e países a visitar. Ah, belas coincidências de viagem.

Slansko lake and Nikšić city in the horizon

A meio do caminho parámos na cidade turística de Budva e depois seguimos até Kotor ainda mais turística, uma cidade entalada entre um belíssimo conjunto de paredes-montanha negras, e um fjord-tropical, onde faz calor, a água é quente e límpida e abundam peixes. Lugar perfeito para tomar um banho 3 em 1: lavagem, tratamento aos músculos e ossos cansados e um momento de descontracção. De Kotor arranjámos boleia até Risan, e de Risan uma boleia de 2 bósnios, sem sabermos bem para onde. Pensávamos que nos levariam para a Bósnia, mas afinal iam para o norte de Montenegro. Passámos a menos de 10 km da fronteira bósnia mas não deixámos a boleia. Dada a grande simpatia dos dois homens e o facto de termos sido convidados para ficar em casa de amigos em Montenegro, esta boleia foi a força motriz para a primeira alteração do trajecto da viagem. Não vamos passar de leve a Croácia e a Bósnia, ficará para a próxima. Quanto à viagem…  que dizer das incríveis paisagens de montanhas, vales e lagos? Ah, só mesmo vendo as fotos poderão ter uma amostra do prazer que tivemos em fazer este imprevisto trajecto. Em Nikšić deparámos com um lago imenso com ilhas espalhadas no meio, O condutor, Ziad, atento à minha ânsia de fotografar o vale de Nikšić e o lago, parou o carro e convidou-me a sair para tirar umas fotos em condições. Fez o mesmo mais a frente, em Rudopolje para fotografar uma espécie de canyon e em Juta Greda para uma garganta profunda onde passa um pequeno rio! E que dizer destes dois homens, Ziad e Suad? Divertidos, atentos e com uma vontade imensa de partilhar a vida. Suad começou por brincar com a nacionalidade de Ziad, dizendo que aquele era árabe, um terrorista, mas não, claro que não, e mais tarde ficámos a saber que tinha estudado em Riade, na Arábia Saudita, daí a piada. Para compor o tema árabe até nos ofereceram os tâmaras vindas também da Arábia Saudita. Em Šavnik, já com muitas dezenas de quilómetros de viagem feitos, pararam num  bar e pagaram-nos uns cafés turcos e ovos cozidos. Numa absurda mistura de palavras de inglês, russo, lituano, alemão, sérvio (e por incrível que pareça até árabe) conseguimos explicar o nosso projecto de viagem que deixou-os num estado de choque entusiasmado.

O sol estava quase a por-se quando chegámos a Duži. Primeiro parámos numa mansão/palácio em construção com vista para uma das mais idílicas paisagens montanhosas possíveis de imaginar. Não fomos visitar os donos (que ainda não moram na casa), mas sim os colegas de trabalho (bósnios e montenegrinos) de Ziad e Suad que moram estes sim na mansão enquanto a constroem.  Fomos recebidos com muita sorrisos e boa disposição, curiosidade, cerveja, comida tradicional e até música ao vivo, pois um dos trabalhadores sabia tocar e bem um instrumento tradicional da região que parece um violino de 1 corda. Era já noite escura quando chegámos a casa do nosso primeiro hóspede, um velhinho muito culto e inteligente, que construiu sozinho a sua casa com um magnífico jardim no meio de montanhas lindas com vista para a Bósnia! Apesar da hora ainda fomos para a sala “conversar” os 5. Muito interessante o serão! O velhinho mostrou-nos as suas obras de arte, o seu livro de poesia, a árvore genealógica da sua família nos últimos 300 numa folha de papel gigante meticulosamente elaborada por ele… ah, e para provar os seus dotes em geografia portuguesa, proferiu de cor e por ordem norte-sul os nomes dos rios: Minho, Douro, Tejo e Guadiana! O quarto que nos ofereceu era grande, com 4 camas muito confortáveis, e a varanda dava para os picos montanhosos! Mas tivemos de compartilhar o quarto com os 2 bósnios, daí que, enquanto Ziad ajoelhado num tapete rezava  em direcção a Meca, eu escrevia estas linhas…

Luís Garcia

SILK ROAD TRIP #1, Podgorica to Cetinje, Montenegro

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05.06.2014

ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

PORTUGUÊS: Numa mistura de palavras de alemão, francês, inglês e russo, conseguimos nos entender com a primeira boleia da viagem, do aeroporto até Podgorica. O senhor ia`para a missa, mas teve a gentileza de nos largar num local estratégico, mesmo em frente à estrada em linha recta que apontava para o centro da cidade. No centro começámos por comprar um mapa dos Balcãs. Depois de dizermos que vínhamos de Portugal, a empregada da livraria desfez-se em sorrisos e ajudou-nos imenso. Era natural de Nikšić, cidade que nos garantiu ser das mais lindas do país, terra que nem de propósito vejo da janela do carro destes dois bósnios (que nos deram boleia) enquanto escrevo estas linhas no meu caderno de viagem. Ah, e não é que parei de escrever para tirar uma foto pela janela e o condutor parou para que eu pudesse sair da viatura e tirar fotos em condições! Que imensa gentileza!
Depois de andarmos aleatoriamente às voltas por Podgorica, fomos à procura da saída da cidade em direcção ao próximo destino, Cetinje, ex-capital do antigo reino do Montenegro. Íamos desfalecendo de calor, sono e cansaço no percurso, mas fomos recompensados por uma curta espera de 10 minutos até um carro parar. De Cetinje queríamos ir para Buvda e por isso recomeçámos a boleia. Não correu nada bem. Durante quase 3 horas vimos carros parar e partir com outras pessoas que faziam boleia ao nosso lado. Muitos partiam, mas mais, muitos mais se juntavam na fila da boleia! E o pior, os carros nem sempre pegavam na pessoa em primeiro lugar da fila de espera para a boleia, por vezes pegavam o último da fila (último a chegar), ou do meio, ou então alguém chegava fazendo batota, metendo-se no início da fila (e partia 5 minutos depois)! Ah, decidimos desistir e ir montar a tenda o mais breve possível num dos três parques da cidade de Cetinje! Estávamos exaustos! Mas não, não acabou assim o dia.
Encantados pela beleza pitoresca da cidade, atrevemo-nos a vaguear pelas suas acolhedoras ruas, acabando por passar por acaso em frente de um restaurante com esplanada da qual um jovem enorme e musculado nos sorria candidamente.  Respondi com um “olá” e a conversa começou, inevitavelmente, entre mim, Claire, o “armário sorridente” chamado Ivan e os seus 2 amigos. Ivan era o dono do café, que tinha internet, de modos que aproveitámos para ver uns googlemaps, carregar baterias de máquinas e beber um café turco cada (que ao final foi oferta da casa). Entre conversas de viagem, países e música (Ivan e os seus amigos têm uma banda chamada Double Needle Project), o tempo foi passando e eram quase 7 da tarde quando vimos aparecer a grande velocidade uma enorme tempestade. Apreçámo-nos a chegar a um parque, mas a 50 metros deste começou a chover bolas de granizo do tamanho de berlindes. Escondemo-nos debaixo de umas escadas de uma casa mas não adiantou muito, ficámos com a roupa e malas muitíssimo molhadas. Mudámos de planos e tentámos encontrar na estação um autocarro para Buvda, na costa montenegrina, de forma a fugir à tempestade. Depois de um dia a ver passar dezenas de autocarros enquanto pedíamos boleia, fomos esperar em vão pelo autocarro, não havia mais, era demasiado tarde. Entretanto, neste compasso de espera, o céu ficou limpo sobre Cetinje e refizemos uma vez mais o plano, fomos dormir num parque lindo, mas com o chão gelado…

Luís Garcia

Pljevlja, Montenegro, 2014

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Location: 

Đurđevića Tara Bridge & Canyon, Montenegro, 2014

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Location: 

Žabljak, Montenegro, 2014

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Location: 

Petnjica, Montenegro, 2014

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