Mosna, Serbia, 2014

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Plavna, Serbia, 2014

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Negotin, Serbia, 2014

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From Urosevac to the border with Macedonia, 2014

I dedicate this album to my friend Petar and his family.

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Uroševac, Kosovo (Serbia), 2014

I dedicate this album to my friend Petar and his family.

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Bond Steel US base, Kosovo (Serbia), 2014

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Sojevë, Kosovo (Serbia), 2014

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Uroševac, Kosovo (Serbia), 2014

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Llapllasalle, Kosovo (Serbia), 2014

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SILK ROAD TRIP #8- Kosovo to Macedonia

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ENGLISH: I will add the English translation as soon as possible. Sorry for making you wait!

14.06.2014, 10th day of the trip

PORTUGUÊS: A manhã começou calma, com compras para a viagem e um bom pequeno-almoço. Já de barriga cheia fomos visitar de novo a loja de souvenirs de um albanês macedónio radical e ultra-nacionalista, mesmo ali ao lado. A loja estava repleta de equipamento militar, facas, estatuetas de heróis kosovares e albaneses, bandeiras da Albânia e dos EUA, retratos de Bush e Clinton, e claro, bandeiras e roupas da organização terrorista do UÇK. Quem está dentro do assunto sabe que o UÇK foi formado e financiado pelos EUA, que esta organização tem laços com os rebeldes tchetchenos e com a Al Qaeda e que apesar de tudo, numa atitude politicamente correcta, os seus patrocinadores (EUA, NATO) incluem o UÇK na sua lista de organizações terroristas internacionais. Interessante é ver uma loja assim, fazendo a apologia de uma organização terrorista de acordo mesmo com os EUA, aberta a 500 metros da maior base militar norte-americana na Europa, e que tem como principais clientes os militares e civis que trabalham na referida base… ah, viva os states! Quanto ao dono da loja, apenas mais um troglodita radical, anti-Sérvia, lamechas e maniqueísta na escolha dos factos, que retrata os sérvios enquanto absolutos monstros e os albaneses como eternas vítimas inocentes do horror jugoslavo. Que diferença quando comparado com o senhor Mikael. Mas, bom, entrámos no jogo dele e fizémo-lo falar, para ver até onde iria o fanatismo e a desconstrução histórica ao bom estilo albanês…

Base militar norte-americana de Bond Steel, Sojeve, Kosovo (Sérvia)

Feita a vistoria à lojinha deprimente de horrores, fomos muito discretamente e cheios de stress tirar fotografias à base militar dos EUA ali mesmo ao lado. Ao voltar à casa do couchsurfer, ausente e de visita à sua família, fizemos as malas e partimos à boleia até Urosevac, onde passeámos um pouco (para tirar fotografias “encomendadas” pela mãe de um amigo meu sérvio que nasceu nesta cidade e que nunca mais a visitou desde que foi forçada a partir durante a guerra) e onde almoçámos.

O trajecto do centro da cidade à estrada que segue para a Macedónia foi feita a pé, cerca de 3km, mas para compensar o esforço, uma vez lá, obtemos boleia em 5 segundos e avançámos metade do percurso. Quando deixámos o carro, começou uma enorme tempestade, de forma que fomos obrigados a se abrigar na esplanada de um restaurante ali perto. A chuva parou e recomeçou várias vezes e nós, feitos tolos, andámos também várias vezes para a frente e para trás com as malas, entre o restaurannte e o spot de boleia. Numa dessas ocasiões, um grupo de albaneses do Kosovo, pois claro, começaram a gozar com a bandeira da Jugoslávia  na minha mala, ridículos, fazendo  escárnio feitos uns deficientes… isto num país que se auto-proclama “Kosovo” mas onde há mais bandeiras da Albânia e dos EUA do que kosovares, ahahah, que riso…

Felizmente fomos resgatados daquele spot pouco amigável uns minutos depois, num bólide luxuoso de Baki (um empresário macedónio) atrasado para apanhar um avião em Skopje. Para mal dos seus pecados, um grande acidente naquele estreita via em muito mau estado bloqueou completamente a ligação com a Macedónia. O nosso condutor, decidido a não perder o avião, pediu informações a um taxista e pediu-lhe para seguir à nossa frente, guiando-nos por caminhos de cabra e pontes pedonais (o Mercedes passou à conta) de forma a contornar a zona do acidente e voltar à estrada. O carro sofreu imenso, mas poucos minutos depois estávamos na estada principal. Que filme! Dado o enorme atraso do nosso condutor, eu e Claire experimentámos a sensação de participar numa corrida de Fórmula 1 em terreno montanhoso: ultrapassagens de 15 carros de uma vez em curvas apertadas sucessivas, vários quase-acidentes, curvas apertadíssimas feitas a 120km/h, enfim, iam-nos saltando os corações. Quando chegámos à bomba de combustível onde Baki nos largou, transpirava por todo lado e tinha uma pulsação equivalente a uma corrida de sprint! Mas não me queixo, boleia rápida, eficiente, e tivemos a sorte de não morre hoje! 🙂

Pormenores interessantes do trajecto:

  • Cemitério do UÇK
  • Bandeira gigantíssima da Albânia, na fronteira Kosovo-Macedónia! Está tudo dito.

Na bomba de combustível fizemos amizade com uns adolescentes que queriam ser fotografados e que nos pediram as nossas contas facebook, enquanto esperávamos pelo colega de trabalho de Baki. Baki, como está muitíssimo atrasado para apanhar o avião, deixou-nos na bomba de combustível lamentando-se, mas não sem antes ter telefonado a esse colega, de nome Zaiko, a quem pediu para nos vir buscar. 10 minutos depois lá apareceu, muito simpático e delicado, e tal como combinado com Baki, deixou-nos no centro do centro de Skopje! Que luxo! Que sorte!

Quando chegámos ao centro de Skopje uma vez mais chovia! Imenso! Tivemos de esperar debaixo de uma varanda, de malas às costas, que o tempo melhorasse. Como não tínhamos dinheiro macedónio, precisámos de trocar algum, o problema é que todas as casas de câmbio no centro estavam fechadas. Felizmente passámos por um casal muito simpático de artistas macedónios que nos conduziram a outras casas de câmbio. Digo felizmente pelo encontro, não pela ajuda que não serviu de nada, pois nunca encontrámos uma casa aberta (acabámos por retirar dinheiro num multibanco). Felizmente sim, pois falam bem inglês eram pessoas interessantes e informadas. Começaram por nos perguntar a nossa opinião sobre todas as obras recém-acabadas e por acabar no centro, principalmente de estátuas gigantes e fontes. Confessámos que estávamos confusos com todo aquele aparato. E sim, os 2 jovens artistas, de pensamento alternativo, tinham-se posicionado claramente contra aquele enorme show-off e despesismo das contas públicas. Já não chamam Skopje a Skopje mas sim Disneylandia macedónia, e criticam duramente a “paranóia nacionalista de escrever uma história grandiosa da Macedónia que não corresponde com a realidade”, ou que é no mínimo “muito exagerada a dimensão que o governo tenta passar”! Daquilo que vimos, concordamos sem problemas com estas palavras. A Macedónia é um país pequeno, com uma longa história de ocupações e não de imperialismo ou pelo menos independência. Ver todas estas gigantes estátuas, novas em folha, de heróis que não foram bem heróis, pagas com o dinheiro que o país não tem, num dos mais pobres países da Europa… é grave, muito grave. E tal como argumentou o casal macedónio, num país de quasi-terceiro-mundo onde não há dinheiro para as mais básicas condições de saúde, de ensino, de higiene, e onde escasseiam recursos estratégicos, é de facto “um crime pedir dinheiro emprestado a bancos estrangeiros para construir paranóias nacionalistas megalómanas”! Ah, como concordo com eles! E mais, onde é que já vi visto!?! Portugal, Grécia… Dèjà vu, sem dúvida…

Com a cidade encharcada após a tempestade, e sem local onde guardar as malas, Claire e eu optámos por uma forma alternativa de descobrir a cidade. 2 horas para ver a cidade, um de cada vez, enquanto o outro espera com as malas num café. Funcionou bem.

Já noite escura fomos os dois com as malas até à praça central fazer um banquete de pão, ovos cozidos, sardinhas enlatadas e pepinos. Com a barriga cheia ganhámos coragem e andámos a pé até a zona sul da cidade, em busca de um parque onde acampar. Não encontrámos nenhum com as condições de invisibilidade e sossego que queríamos, mas acabámos por encontrar um enorme complexo de escolas e igreja, muito antigo, semi-abandonado. Passámos discretamente por uma entrada aberta, creio que por esquecimento, demos a volta até à zona mais limpa, abrigada e escondida dos jardins, e lá montámos a nossa tenda! 🙂

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Tenda por detrás da escola em Skopje

Luís Garcia

 

SILK ROAD TRIP #7- Between Uroševac and Gračanica, Kosovo (Serbia)

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13.06.2014

PORTUGUÊS: O nono dia de viagem começou com 2 viagens de autocarro, de Sojeve a Uroševac, e de Uroševac para Veternik (arredores de Pristina, zona sul). Não tínhamos objectivo específico nesta vila de Veternik, mas ainda sim divertimo-nos à contemplar a imensidão de shoppings (quase todos por acabar, mas já com todas as marcas internacionais que supostamente terão loja dentro) que crescem como cogumelos, e são quase mais que as casas dess aldeola. Não faz sentido, um boom de construção que não servirá de nada, primeiro porque nas aldeias em volta não existe potenciais clientes para fazer funcionar um shopping quanto mais uns 15! E se a ideia era servir a capital, ali a 3 km, seria bem pensado, se Pristina não tivesse já dezenas de novíssimos shoppings, quase um por habitante (estou a exagerar mas pouco)! Enfim…

Feita a vistoria aos shoppings, seguimos a pé em direcção do grande destino do dia, Gračanica, um enclave onde se concentraram (muitos forçados pelo poder albanês do Kosovo) quase todos os sérvios que restam no Kosovo (11000 pessoas), depois da limpeza étnica patrocinada pelos EUA, UE e NATO. A TV ocidental, fiel servente dos interesses económicos do Império Norte-Americano, não teve nunca problemas em repetir incessantemente que albaneses foram massacrados, mas nunca, nunca mesmo se deram ao trabalho de relatar os massacres de sérvios como o ocorrido em Krajina, ou o facto de quer albaneses quer sérvios terem sido mortos pelas bombas humanitárias da NATO. A NATO, os EUA, contaram-nos a estorieta de vir fazer trabalho humanitário, de evitar a limpeza étnica de albaneses, num Kosovo (província da Jugoslávia) que em 1953 tinha 65% de albaneses, em 1991 quase 82% (boa parte emigrantes ilegais vindos da Albânia para forçar a albanização do Kosovo) e em 2011 quase 93% de albaneses. Mas não contaram nem contarão nunca que dos 23,5& de sérvios da província sérvia do Kosovo em 1953, sobram agora 1,5%! (Demografia do Kosovo)  Querem falar de limpeza étnica? Eis a limpeza étnica. Ainda em 2004 e 2005 casas de sérvios e igrejas ortodoxas sérvias foram queimadas por terroristas do UÇK e nacionalistas albaneses, e também vários civis sérvios do Kosovo foram mortos sem razão aparente, com a vista grossa dos Capacetes Azuis que presenciaram alguns destes crimes. O nosso grande jornalista Carlos Santos Pereira, corrido para fora dos jornais e TV’s nacionais pelo crime de dizer demasiadas verdades escreveu um livro importantíssimo onde descreve muitos destes factos, factos vividos por ele na Jugoslávia:

Eis um artigo meu no blog Pensamentos Nómadas:

E para quem quiser saber mais sobre o tema, dois grandes documentários inconvenientes, pois claro, mas objectivos e factuais:

Stolen Kosovo / Uloupené Kosovo 

KOSOVO: THE INFINITE WAR

 Voltando à estória do dia, e como ia dizendo, começámos a caminhar em direcção a Gračanica mas, para mal dos nossos pecados, começou a chover e tivemos de adiar a caminhada. Optámos por um autocarro citadino e avançámos 2 km até uma terriola chamada Hajvali. Aí demos uma volta para passar o tempo e continuámos a caminhar, 3 km até Gračanica, sempre sob ameaça de chuva que não veio. A entrada de  Gračanica já não está fechada como há uns anos atrás, e os albaneses parecem terem acalmado, já não entram pela vila sérvia adentro provocando caos e horror. O último assassínio  de um civil sérvio por terroristas albaneses em Gračanica ocorreu em 2005 e existe um pequeno monumento em sua homenagem no centro da vila. Ainda assim, à entrada de Gračanica existe um painel informando que a vila se encontra sobre rigoroso controlo de video, e sim, é verdade, encontrámos bastantes câmaras CCTV espalhadas por Gračanica.

Em Gračanica o que mais salta à vista é a impressionante presença de bandeiras sérvias por todo lado! Impossível há 9  anos atrás, incontornáveis hoje em dia, e ainda bem, para desenjoar da claustrofóbica presença de bandeiras da NATO, dos EUA e da Albânia no resto do Kosovo! Outro pormenor importante é o estado de degradação das casas deste enclave perdido no meio de território hostil, perdido no meio de um estado falhado… não há nenhumas perspectivas de futuro nestas paragens. Ainda assim os mais velhos resistem e insistem em viver e morrer na sua terra natal.

Mikael and Claire in his house

Um bom exemplo é Mikael, o pensador da vila, que conhece toda a gente, que viajou e traballhou por todo o lado no tempo da Jugoslávia, e que acolhe de braços abertos todos os estrangeiros, “mesmos os que vêem pela má razão” (militares portugueses da NATO a quem vende com frequência carne de porco e vinho tinto) de “ocupar o território jugoslavo a mando dos EUA”. Conhecemo-lo por acaso, graças à chuva. Estávamos eu e Claire a comer um lanche improvisado num banco de jardim quando começou a chover. Mikael e outras 2 senhoras convidaram-nos muito delicadamente a abrigármo-nos no alpendre de um barzito. Pedimos uns cafés turcos e a conversa começou, mesmo com o nosso muito limitado conhecimento de sérvio e o muito limitado conhecimento de inglês de Mikael, da sua mulher e da sua amiga. Poderia passar horas a escrever sobre este encontro especial mas apenas destaco agora, da conversa com Mikael, a serenidade nostálgica e a sensatez lúcida com a qual os sérvios (da Sérvia mas sobretudo do Kosovo) olham para o passado recente. Não negam que os militares sérvios cometeram crimes e portanto não os defendem imbuídos num nacionalismo estupidificante (ao contrário dos albaneses do Kosovo), e tampouco se vangloriam macabramente de terem sido vítimas de massacres e horrores, como fazem todo o tempo os albaneses do Kosovo. A perspectiva é sobretudo de uma cansada impotência face ao desenrolar dos acontecimentos planeados e executados pelos grandes países que tudo decidem, e as questões prementes são de ordem prática: como sobreviver numa vila de 11000 sérvios entalada num Kosovo albanês repleto de nacionalistas extremistas e xenófobos? onde trabalhar? como circular? etc. Como a conversa subia de interesse, Mikael levou-nos até sua casa onde visitámos a sua quinta biológica e a sua oficina improvisada no pátio. Mikael, com todo o engenho e sabedoria da “geração jugoslava”, transforma lixo em surpreendentes motas, tractores e ferramentas eléctricas de elevada utilidade (sobretudo quando não há forma de comprar equipamento, ou não se tem dinheiro para o obter)! E também põe a funcionar automóveis pelos quais ninguém daria 1€ em Portugal antes da reparação! Após a visita guiada à casa, fomos convidados a sentármo-nos no pátio com ele, onde a conversa perdurou, ao sabor de cafés turcos e aguardente local… O grande momento da viagem até agora!

Em Gračanica existe um mosteiro muito antigo e famoso, mas melhor que ler sobre ele, é ver o álbum de fotos lá tiradas:

Álbum de fotos do Mosteiro de Gračanica

Atravessada toda a vila de Gračanica de norte a sul, recomeçámos a boleia de volta a Ferizaj (Urosevac). Um velhinho sérvio perdido de bêbado com um carro a cair de podre parou para nos levar mas, para nosso inicial desagrado, voltou a parar para nos “obrigar” a aceitar umas cervejas! Ah, e o sol já quase posto… e o receio de depois não conseguir seguir à boleia! No bar onde parou fomos encontrar 2 amigos seus, um fotogénico velhinho turco da macedónia chamado Skender que se lembrava com alegria dos golos de Eusébio, e um fotógrafo bósnio-albanês do Kosovo de nome Haki, muito culto, fluente em inglês e grande crítico da destruição da Jugoslávia orquestrada pelo Ocidente e da perseguição aos sérvios levada a cabo pelos albaneses. Outro grande encontro da viagem! Quando saímos do bar já não caminhávamos direito, embora tenhamos gasto zero cêntimos, pois claro. Mais ébrio que nós só mesmo o velhinho que nos trouxera até ali, e que nos levou depois até uma vila perto do nosso destino. Ainda estamos para perceber é como, perante tantas saídas de estrada, ziguezagues e manobras típicas de um coma alcoólico, ainda estamos vivos e sãos para vos contar esta história!

A última boleia do dia foi para Urosevac, com um albanês que viveu em Itália 4 anos. Italiano percebe-se bem, falar é que é pior, mas tudo bem, deu para comunicar facilmente. Em Urosevac pegámos um bus para Sojeve (casa do couchsurfer que nos acolheu 2 dias) onde chegámos já noite escura, ali mesmo ao lado da base militar norte-americana. Chegámos esfomeados e saímos à procura de comida albanesa boa e barata. Mas não, apenas encontrámos comida-lixo norte-americana cara (fried chicken, home delivering, blablabla), saloons e souvenir-shops com bandeiras do UÇK e miniaturas da Estátua da Liberdade… ou Estátua da Escravatura, para os mais cépticos.

Luís Garcia

 

Luís Garcia

Gračanica Monastery, Kosovo (Serbia), 2014

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At Mikael’s House, Gračanica, Kosovo (Serbia), 2014

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Gračanica, Kosovo (Serbia), 2014

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SILK ROAD TRIP #6, Prokuplje (Serbia) to Pristina (Kosovo)

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12.06.2014

PORTUGUÊS: Oitavo dia de viagem, acordámos felizes e repousados na casa desta gente tão boa, a família de Nikola que ontem nos trouxera à boleia de Niš para Prokuplje. Para começar bem o dia tomámos café com leite na companhia de Nikola e a sua mãe tão querida! Com a ajuda do google translator do tablet de Nikola e com o instinto comunicativo de sua mãe, a manhã passou rápida enquanto conversávamos sobre política, sobre a má e errada imagem que o ocidente tem da Sérvia, sobre o futuro incerto deste belo país e desta gente tão interessante e acolhedora. Ao contrário de quase toda a gente que conheço ou com quem me cruzo na Europa Ocidental, aqui toda a gente (mais culta, menos culta) parece estar ciente que as “rebeliões” na Líbia e na Síria não passaram de guerras de proxy realizadas pelos EUA. E também não têm dúvidas nenhumas que o golpe de estado feito por Nazis ucranianos, CIA e membros do FMI na Ucrânia é uma clara violação da ordem e da justiça, que o acordo económico Rússia-Ucrãnia era legal e benéfico para a Ucrânia, ao contrário de uma farsa de golpe de estado com agentes da CIA, do UÇK kosovar e das guerrilhas tchechenas, sob ordens dos EUA, que levam agora o país definitivamente de volta ao terceiro mundo do qual tentava desesperadamente sair. Mas bom, são outras estórias…   Antes de partirmos, recebemos de presente da mãe de Nikola 3 pares de meias novas, finas, de verão, mesmo como precisávamos, pois as que temos são um pouco quentes para a época. Instinto de mãe em acção! 🙂

Por volta das 10 horas fomos no carro de Nikola até ao local onde se encontrava estacionado o camião de seu pai. Entrámos no maquinão velhinho e seguimos rumo ao Kosovo… a viagem até à fronteira poderia levar menos de 1 hora, mas levou mais de duas, graças ao estado da estrada, péssimo, completamente destruído diria. Não há dinheiro, é normal, com os bombardeamentos “humanitários” da NATO, a Sérvia recuou mais de 20 anos economicamente, e não sou eu que o diz, é o insuspeito Henry Kissinger, mestre e estratego de barbáries maiores. Eu diria mais, pois já passaram 15 anos desde o terrorismo humanitário da NATO em forma de bombas que destruiu quase todas as fábricas, linhas de comboio, centrais eléctricas, pontes, refinarias (para falar só de recursos estratégicos) e o país mal consegue funcionar. Para voltar ao dinamismo económico e industrial da grande Jugoslávia… ainda hão de passar umas décadas, se entretanto não caírem nas malhas da EU…. enfim. e por falar em bombardeamentos, sim, as provas viam-se da janela do camião, enquanto vagarosamente nos aproximávamos da região autónoma do Kosovo.

Junto à fronteira fomos encontrar uma fila infinita de camiões. Saímos com Dragan (pai de Nikola) e dirigimos-nos ao Posto de Controlo de Merdera. Pelo caminho Dragan cumprimentou um montão de amigos também camionistas a quem delegou a tarefa de tomar conta do camião e avançá-lo sempre que necessário. No controlo de passaporte, pois claro, obtemos os carimbos sem problemas, mas não sem antes aturar dois polícias trogloditas que de forma grotesca, ridícula e bruta perguntavam por que é que eu tinha tantas bandeiras na mochila e não do Kosovo!?! Respondi o óbvio, ahhh, que gente deficiente, porque “nunca fui ao Kosovo”!!! E para mim próprio respondi “porque o Kosovo não existe, é uma colónia militar dos EUA”! E é daí mesmo que veio a arrogância nacionalista daquele troglodita,  perante um país que não existe, um albanês da província sérvia do Kosovo quer a todo custo ver bandeiras que confirmem o que não faz sentido, caso contrário não perguntava por bandeiras ou, se perguntasse, não seria com aquela expressão corporal de quem diz “de que raio estás à espera para por A BANDEIRA do nosso PAÍS que EXISTE MESMO”! Ah, haja, paciência.

Tratada a burocracia, Dragan conduziu-nos a um restaurante  do lado kosovar, mesmo junto ao quartel militar português da NATO, onde nos ofereceu uns cafés, e onde esperámos mais de 2 horas para ver o camião atravessar também a fronteira. Durante a espera, voltei a por a bandeira da  Albânia no saco, que retirei por respeito à Sérvia, e que agora serviria para agradar os descontentes albaneses pela não presença da bandeira kosovar.

De volta à estrada, uma sensação de déjà vu: resmas  de casas espalhadas aleatoriamente, pela paisagem, 99% delas por rebocar. Onde é que já vi isto? Ah, Albânia, há 9 anos atrás. Tá explicado. Nos 40 km que separam a fronteira da capital Pristina, vimos muitas centenas de bandeiras da Albânia, algumas dezenas de bandeiras do Kosovo, EUA, NATO, OTAN e EU! Em telhados de casas e edifícios privados, sim, que não fique a dúvida!

Pristina City Center, Kosovo (Serbia)

Como nos deslocávamos de camião, não pudemos entrar na cidade com a nossa boleia. Ficámos pelos arredores e apanhámos um autocarro urbano para o centro. O primeiro objectivo era encontrar a estação de autocarros e comboios de Pristina, que aparecem nos mapas do google, mas que afinal não existem, como viemos a descobrir de malas às costas de um lado para o outro. O bom-senso fez-nos desistir de procurar as estações virtuais e ir para o centro, belo, novíssimo, bem organizado, com bares e restaurantes “super cool”, hotéis de luxo em cada esquina.  O problema é que um centro destes num país em que a economia não funciona (não há indústria, não se produz nada)  e numa cidade em que por detrás do centro se está numa favela, não faz sentido nenhum, é completamente artificial. Dada a presença de muitos estrangeiros que trabalham pela ONU, EU, KFOR, NATO, OCDE, entre outros, na construção deste estado, percebe-se a presença dos tais hotéis e bares de luxo, Mas quero ver o que acontecerá a tudo isto quando todos os estrangeiros partirem…

Lista de detalhes interessantes :

Outro detalhe interessante, presente não só em Pristina mas por todo o estado autónomo do Kosovo é o nome “Ilíria”, antigo reino do tempo do Império Romano e Grécia Clássica. Até hoje ninguém provou de forma conclusiva que exista alguma ligação histórica entre o extinto reino ilírio e o povo albanês, mas estes últimos juram de pés juntos que são descendentes dos ilírios, pois claro, assim podem reclamar como sua terra ancestral toda a Jugoslávia e parte da Itália, Grécia e Bulgária, e criar a  Grande Albânia, a utopia nacionalista de um povo que não consegue sequer tomar conta do estado falhado da Albânia. E assim temos restaurantes Ilíria, bombas de combustíveis Ilíria,  lojas Ilíria, garagem Ilíria, loja de electrodomésticos Ilíria, etc… Uma lista infinita. Mas sim, já percebemos, bandeira da Albânia por todo lado e o nome Ilíria, sim, percebemos, vocês existem e são albaneses e hipoteticamente ilírios, ah que claustrofóbica paranóia.

Como a cidade não é muito grande, atravessámo-la a pé até à saída sul onde à beira de uma estrada em construção, muito entulho e terra se encontrava uma multidão de gente à espera com malas nas mãos. Supusémos que aquele aglomerado de gente e entulho seria a estação de autocarros de Pristina e acertámos. Não levou muito tempo até aparecer um autocarro para Uroševac (Ferizajt em albanês). Meia hora depois estávamos já no centro da cidade de Uroševac.

Uroševac foi uma cidade que sofreu bastante destruição por parte das bombas humanitárias dos EUA e companhia. Passados 15 e com ajudas externas a cidade recompôs-se, mas não os sérvios que foram obrigados a partir para nunca mais aqui regressar.  Os albaneses do Kosovo, esses sim, parecem contentes, são donos e senhores da cidade e, nem de propósito, estavam a tratar dos últimos detalhes para o início das comemorações da entrada “vitoriosa” da NATO no Kosovo. Que absurda coincidência termos entrado no Kosovo precisamente neste dia! Enfim… Para Uroševac tínhamos organizado uma noite em casa de um couchsurfer, só não tínhamos era forma de comunicar com ele. Deslocámo-nos até à praça central onde estavam a começar as referidas comemorações  e olhámos à volta em busca de uma cara simpática a quem pedir um telemóvel emprestado. Não foi preciso, o organizador das comemorações veio ter connosco dando-nos as boas-vindas num bom inglês, telefonou ele mesmo ao couchsurfer e apresentou-nos aos membros de uma banda kosovar famosa enquanto esperávamos a vinda do nosso anfitrião couchsurfer. Também enquanto esperávamos fomos “atacados ” por uma multidão de miúdos curiosos e ansiosos de serem fotografados. O resultado está aqui:

Album “Children of Ferizaj, Kosovo (Serbia)”

Pormenor interessante de Urosevac: bandeira e símbolos do UÇK por todo o lado, até um café do grupo terrorista do UÇK! Tudo bem, ninguém da OSCE, da KFOR, da ONU ou da UE, que passam constantemente em jipes a patrulhar o Kosovo, parecem ligar ou sequer reparar! Tudo bem, viva a paz podre! (clique para o albúm)

A minha mala tem muitas bandeiras entre elas está uma da Jugoslávia! Ah, caos, horror, barbárie! Um troglodita veio-me chatear a cabeça com “Jugoslávia Kaput”, “Jugoslávia finish”! A sério? não sabia! E quê, não posso ter uma bandeira antiga na MINHA mala? Nacionalismo ridículo de quem tem um país  colónia dos EUA reconhecido por apenas 1/3 dos países com assento na ONU e que aí está, tendo bandeira (do Kosovo) só usam a da Albânia. Incoerências…

Com muito atrasado, devido à sua vida muito ocupada, chegou Enis, o couchsurfer kosovar. Levou-nos no seu Mercedes de vidros escuros até à sua casa em Sojeve, uma aldeia a 10 km de Urosevac, onde se encontra a maior base militar dos EUA em território europeu. O próprio Enis trabalha na base militar de Bond Steel! Enquanto jantámos e bebemos vinho, tudo oferta do nosso anfitrião, conversámos e discutimos imenso sobre os EUA e a sua máquina de guerra, com a base militar em frente à varanda e dezenas de helicópteros a sobrevoar-nos…

Uma frase interessante de Enis: “Os kosovares são como os judeus, adoram dinheiro, e não olham a meios para obter os seus fins.” Ele é um bom exemplo, ex-mercenário pago pelo Pentágono na Líbia e Afeganistão…

Luís Garcia

Hajvali, Kosovo (Serbia), 2014

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Ravine, Kosovo (Serbia), 2014

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Ferizaj/Uroševac II, Kosovo (Serbia), 2014

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Sojevë, Kosovo (Serbia), 2014

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Kids of Ferizaj/Uroševac, Kosovo (Serbia), 2014

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